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Estou à espera das vossas histórias!!!

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domingo, 27 de novembro de 2011

Raid Aventura Trilhos Saloios



Após mais de dois anos de interregno (enquanto participante, já que tenho dado o meu contributo nas organizações), tendo como desculpa os meus problemas de coluna, lá me conseguiram convencer a participar no RA Trilhos Saloios, para viabilizar uma equipa do ATV. Mesmo assim este meu regresso foi parcial, já que apenas realizei as etapas pedestres, que acabaram por me proporcionar um bom "empeno", que me irá seguramente fazer companhia durante o resto da semana.

Correndo o risco de parecer masoquista, reconheço que já tinha saudades das especifidades desta disciplina da Orientação, a começar pelo esforço em equipa e a terminar na necessidade de gerir com parcimónia uma condição fisica que deixa muito a desejar. Foi um prazer voltar a enfrentar este tipo de desafios técnicos e fisicos, bem como toda a envolvente única duma Corrida de Aventura. É desta que vou mesmo recomeçar a treinar (sim, sim estou a tentar convencer-me a mim mesmo), e lá estarei na próxima aventura, seguramente com menos cãimbras e dores musculares.

Agradeço aos organizadores todo o esforço dispendido na excelente organização desta prova, que a todos nós proporcionou seguramente momentos inesqueciveis!

Podem aceder a algumas fotos AQUI (as da prova são mérito da Maria Amador e as da assistencia meu)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

II Campeonato Nacional de Estafetas - Mafra

O segundo Camp. Nac. de Estafetas realizou-se no Pinhal da Samouqueira - Mafra no dia 13 de Novembro de 1994, integrado na Época de 94/95 e foi uma organização dos AAMafra. 

Infelizmente devida a um problema com o desaparecimento de um dos pontos, a prova acabou por ser anulada, para grande desespero em particular do Joaquim Sousa (fazia equipa comigo e com o Paulo Alípio), que foi o primeiro a chegar ao ponto desaparecido, tendo sido que lá perdeu mais tempo e mesmo assim nós fomos os primeiros a terminar a prova.

Algum tempo antes desta prova, a FPO contactou o Instituto Geográfico do Exército, no sentido de conseguir apoio à produção dos mapas de Orientação, desde logo na questão dos mapas-base e fotos aéreas, bem como na dispensa de alguns cartógrafos a prestar serviço nessa unidade. A resposta foi que eles próprios poderiam produzir os mapas e o resultado de um desses trabalhos está aqui abaixo...
Foto da partida onde se conseguem identificar alguns cromos...

domingo, 28 de agosto de 2011

Os sons da cartografia



Já me tenho várias vezes referido ao trabalho de cartógrafo com sendo solitário, o que no meu caso é um facto, mas isso não implica que ele seja silencioso. Pelo contrário as florestas têm muitos barulhos e nem todos são tão agradáveis como o chilrear dos passarinhos.

Para começar quero referir um "ruído" que é uma companhia constante e que é uma opção minha. Estou a falar da rádio, que escuto por um único auricular (com os dois sinto-me demasiado alheado do que me rodeia), que está normalmente sintonizado na Antena 3 e ocasionalmente na Antena 1. Esta minha companhia permite ajudar a passar o tempo e representa muitas vezes o único elo que mantenho com a civilização, que está completamente ausente à minha volta.

É claro que este ruído constante e auto-infligido já tem potenciado alguns sustos, quando se produz algum outro barulho perto de mim, quer seja a queda dum ramo, algum animal em fuga (aí curiosamente os coelhos são os mais assustadores, já que tentam passar despercebidos, só fugindo no último momento, mesmo debaixo dos meus pés) ou mesmo o frequente crepitar duma pinha a abrir.

Existem depois alguns sons artificiais, que fazem arrepiar o mais empedernido cartógrafo - as motosserras!

Essa máquina do Demo, que quando ruge numa área já cartografada prenuncia trabalho acrescido, seja porque um bosque se vai transformar numa clareira, seja porque um tronco já assinalado no mapa, se está a converter em lenha para a lareira.

Por razões óbvias este ruído é mais frequente em florestas de eucaliptos, mais usadas em mapas de O-BTT e muitas vezes falo com os madeireiros para saber o que vai ser cortado, permitindo-me assim cartografar clareiras por antecipação. Claro que nestes casos se verificam muitas vezes orquestras de motosserras e/ou de máquinas pesadas, que são autenticas devoradoras de florestas. O que é verdadeiramente imprevisível nestas situações, é em que estado irão ficar os caminhos após a extracção da madeira.

Embora com alguma sazonalidade e previsibilidade na sua ocorrência, existe um outro ruído que ainda consegue ser mais assustador e que justificava a atribuição de um subsídio de risco aos cartógrafos - os caçadores!

Aquilo que à primeira vista pode parecer uma apreciada companhia para combater a solidão, revela-se invariavelmente em momentos de pânico de ser confundido com algum coelho ou de ser apenas alvo de alguns chumbos perdidos. Nos dias de caça uso a minha roupa mais berrante e manifesto ruidosamente a minha presença sempre que tal se justifica.

Existe ainda um outro sector profissional com o qual me cruzo frequentemente - os pastores! 

Também eles são vítimas da solidão e raramente desperdiçam uma oportunidade de a combater, mesmo que isso signifique interpelar um alienígena, que se movimenta de forma estranha pelos pastos. Esses encontros são uma bênção também para mim, que aproveito para cavaquear um pouco e sacar algumas informações sobre os proprietários das áreas ou sobre algumas curiosidades locais. Como alguns destes encontros se vão repetindo ao longo dos dias por vezes estabeleço verdadeiras relações de camaradagem, apenas ao alcance que quem partilha as mesmas agruras diárias.

Entre os vários pastores com quem me tenho cruzado, não posso deixar de destacar um que encontrei em São Torpes, que interrompia as já de si desconexas conversas comigo, para interpelar directamente Deus, com o qual afirmava ter uma relação próxima e directa.

Um destes dias fui confrontado com um outro ruído que também se revelou assustador - um helicóptero de combate a incêndios!

Como devem calcular não é muito agradável estar numa floresta com um enorme potencial ígneo, sob um calor abrasador e saber que pode estar a lavrar um incêndio nas proximidades (com a agravante de ouvir falar dele na rádio). Admito que comecei logo a delinear planos alternativos de fuga, que no limite passaria por sacrificar o meu carro, parqueado a mais de um km. Nessa altura é o sentido do "faro" que assume uma maior preponderância...

PS: a quem interessar, informo que já recomeçou a época de caça!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estágio em Estarreja 199?


Esta foto é dos participantes num estágio que decorreu em Estarreja, mas não sei em que ano se realizou (como o Jorge Baltazar ainda tinha o cabelo preto, deve ter sido mesmo há muito tempo...). Grande parte destes jovens ainda andam por aqui, mas alguns também já merecem um "Onde raio param eles".

Confesso que já não me lembro de nada em particular dele, excepto que houve uma complicação com umas chamadas telefónicas, mas sobre esse assunto é melhor ser o Pedro Nogueira a falar.

Penso que foi neste Estágio que o Daniel Filipe (filho do Altino - Onde raio para ele???), embirrou com um ponto que estava numa colina e ele teimava em procurar numa depressão. A partir daí ele passou a ser conhecido por Colinas e depois ainda acabei por dar esse nome a um cão que tive...

Aproveito para fazer uma justa homenagem ao Stand Auto Moticristo de Mafra, que nos emprestou carrinhas sempre que tínhamos necessidade, sem qualquer custo (podem ver uma dessas carrinhas no lado esquerdo da foto).

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ELF Authentique Adventure (parte 2)

Já publiquei aqui há algum tempo o relato da minha participação no ELF Authentique Adventure, que decorreu em 2000 no nordeste brasileiro. Nessa altura prometi que voltaria a esse tema, para vos contar algumas estórias dessa prova que durou 12 dias e teve uma extensão de 800km.

Na verdade a prova começou alguns meses antes, tentando gerar receitas através da organização de provas e garantindo os patrocínios necessários para viabilizar a participação, que estava orçamentada em mais de 2000 contos (10000 euros).

Foi também necessário proceder a treinos de selecção e preparação da equipa, tendo no meu caso servido também como teste para a minha entrada na equipa (fui convidado, juntamente com o Rui Rocha, a integrar este projecto, ainda sem fazer-mos parte da UTL Aventura). Fizemos inúmeros treinos das várias disciplinas incluídas na prova - equitação, kayakes, vela, BTT, corrida, actividades de cordas e a omnipresente orientação (no caso da equitação tive até aulas no CMEFD, onde tinha prestado serviço uns anos, sem nunca ter montado um cavalo). No final do período de treinos, cada um de nós fez uma avaliação dos restantes membros da equipa, ordenando-os pelo seu desempenho em cada uma das especialidades, permitindo assim definir a constituição da equipa (Alexandre G. Silva, Maria Amador, Rui Rocha e Luís Sérgio) e da assistência (Alice Silva, Diogo Rolo e Fátima Pereira).

Cada equipa tinha que dispor de todo o equipamento a usar na prova - equipamento individual de equitação, material de escalada incluindo capacetes e 2 cordas de 100m, equipamento de BTT e respectivas 5 bicicletas (1 de reserva), etc etc. Para além disso resolvemos levar também os kayakes (2 de 6,5 m, pintados com as cores de Portugal), que já tínhamos acordado vender a uma equipa brasileira no final da prova.

Como quem já passou por estas situações deve estar a suspeitar, viajar de avião com todo este equipamento revelou-se uma verdadeira aventura, que começou logo quando fomos informados pela TAP, que teríamos que pagar 600 contos (3000 euros) só para levar os kayakes. Este valor era completamente incomportável, pelo que tudo tentámos para o evitar, desde logo alegando que era o nosso equipamento individual e irmos em representação de Portugal. Como isso não resultou recorremos a todas as cunhas possíveis (eu pus o lóbi Comando em acção), mesmo assim sem qualquer sucesso.

Em desespero fomos à VARIG perguntar as condições para levarem os kayakes, tendo recebido em resposta um desconcertante: "tem problema não!" e que os nossos kayaques iriam sem qualquer custo. Assim, lá trocamos dois dos bilhetes que já tínhamos reservado da TAP para a VARIG, e o Diogo e a Fátima foram encarregues de os acompanhar. Bem, acompanhar é uma força de expressão, já que ao fazerem escala em São Paulo, eles tiveram que levantar toda a bagagem (incluindo os 2 kayakes de 6,5 m) e transportá-los para outro piso, onde voltaram a fazer o check-in, que incluiu passar os kayakes pelas máquinas de Raio x (eles estavam cheios com os coletes e outros equipamentos leves).

O mais irónico desta história é que a VARIG tinha um acordo de permuta com a TAP, que fez com que os kaykes acabassem por ir num avião da TAP, a custo zero...

Saltando por cima da prova, que também tem várias peripécias que vale a pena partilhar, vou já contar-vos as complicações para trazer o equipamento de volta para Portugal, nessa altura já sem os kayakes e sendo apenas 5, pois a Fátima e o Diogo optaram por ficar mais uns dias de férias.

Os problemas começaram logo no aeroporto de São Luís, pois uma vez que ia-mos fazer escala em São Paulo, para rumar definitivamente a Portugal (na verdade fizemos várias paragens até lá, qual bola de ping-pong, apenas com a vantagem de cada uma delas ser recompensada com mais comida), essa viagem era considerada nacional, pelo que cada um de nós só podia levar 20kg de bagagem em vez dos 60 dos voos internacionais, logo teríamos assim que pagar uma taxa proibitiva de excesso de bagagem. Depois de demoradas negociações baseadas no argumento que não queríamos ir para São Paulo mas sim para Portugal, assim na prática aquele era um voo internacional, lá conseguimos permissão para levarmos os 60kg/pessoa. Mesmo assim ainda tivemos que pagar um excesso de bagagem, pois levávamos mais de 300kg (sem contar com as bagagens de mão onde iam os "ferros" todos)!!!

Em São Paulo tivemos que levantar toda a bagagem e proceder a novo check-in, e sim... já adivinharam, tivemos novamente problemas, neste caso não com o peso, mas sim com o número de volumes, uma vez que cada pessoa só podia levar dois e nós os 5 tínhamos 15. Nessa altura já tinha reparado com imensa surpresa, que o funcionário que nos estava a atender no balcão tinha um mini crachá dos Comandos portugueses no bolso da camisa, pelo que para satisfazer a minha curiosidade e na expectativa de poder capitalizar esse facto, perguntei-lhe porque o usava. Explicou-me que o pai era português e que tinha servido nos Comandos em África (imagino que se o filho usa uma miniatura do crachá, o pai deve tê-lo tatuado no braço, logo acima do "amor de mãe").

Estendendo os tentáculos do polvo Comando além Atlântico, informei que também era Comando, mandando logo um grande abraço para o senhor seu pai e meu camarada. Tendo conquistado um aliado, perguntei se havia alguma forma de podermos contornar esta questão, ao que ele respondeu nada poder fazer, mas que podíamos colocar o problema à sua superior. Lá fomos falar com ela, que também disse nada poder fazer, mas que podíamos ir falar com o chefe do check-in. Também este se manifestou impotente para solucionar o caso, mas telefonou ao administrador (não sei do quê...), que nos pediu para irmos ao seu gabinete.

Mais uma vez apresentei o nosso pleito, tendo ele se manifestado muito interessado, mas disse que não podia desrespeitar as regras e acrescentou que quando muito poderíamos juntar alguns volumes. Percebi logo que estava ali a solução e agradeci a gentileza. Assim que saímos do gabinete pedi ao meu compincha se me arranjava fita adesiva, o que ele tratou logo de "arrumar".

E foi assim que, numa espécie de milagre da multiplicação invertido, os 15 volumes passaram a 10 e pudemos fazer o check-in sem custos adicionais! Como sempre acontece, também neste caso quem se lixou foi o mexilhão, entenda-se o bagageiro, que com os seus imponentes 1,60 metros teve que carregar três caixas de BTT juntas e mais alguns pares de sacos já individualmente volumosos e pesados.

Passados uns dias de estarmos em Portugal, alguns de nós descobrimos que tínhamos trazido uma "bagagem" adicional nos pés, mas essa estória "tipo Alien", fica para outro relato...

 


terça-feira, 31 de maio de 2011

Joaquim Sousa - quase 20 anos a ganhar Estafetas!

Após os brilhantes resultados do Sousa no passado fim-de-semana e em particular a sua vitória na prova de Estafetas, não pude deixar de recordar que ele também ganhou o primeiro Campeonato Nacional de Estafetas, que se realizou em Mafra, na longínqua época de 93/94. Nessa altura representava a Associação de Comandos e fez equipa com dois ilustres desconhecidos: Paulo Alípio e Luís Sérgio...

Mas para contar esta história como deve ser, tenho que recuar mais um pouco no tempo, até ao ano de 1991 quando me cruzei pela primeira vez com o recruta Sousa, numa altura em que era instrutor do Curso de Comandos. Digo que me cruzei com ele e certamente aconteceu, mas disso não guardo memória, pois ele era apenas mais um de 300 vermes que por ali rastejavam.

Só uns meses mais tarde, já ele era 2º Cabo é que o Sousa passou de facto a existir para mim, quando nos cruzamos (neste caso seria mais correcto dizer quando nos chocámos) num treino de Orientação. Estava a aproximar-se o Campeonato interno de Orientação e o comandante da CC124 (Cap. Bartolomeu) pediu-me para preparar um treino com carta militar, em Belas.

O Sousa foi um dos participantes no treino e no final apercebi-me de algum burburinho (que como já repararam sempre há à sua volta), relativo a um ponto que teria desaparecido. Lembro-me que nessa altura fui verificar o cartão do Sousa e percebi que um dos picotados não tinha sido feito com o respectivo picotador (aqui há alguma divergência nas nossas versões, já que ele afirma que foi ele que me informou disso. Ora como todos sabemos a história é escrita pelos mais poderosos, logo como eu era Oficial e ele apenas Cabo, prevalece a minha versão).

Seja como for, numa coisa estamos os dois de acordo: como não encontrou o ponto, ele resolveu a situação "copiando" o picotado de outro participante (ele diz que desmontou um picotador e usou um dos picos), mas quem já controlou picotados sabe que não é possível replicar dessa forma o picotado, já que sem o buraquinho por baixo os seus bordos ficam irregulares.

À custa dessa atitude ele acabou por ficar fora da equipa da Companhia dele, atrasando assim o inicio da sua brilhante carreira na Orientação. Algum tempo depois disso acabou por integrar a equipa do Regimento de Comandos da qual eu era treinador (também foi aí que o Paulo Alípio se iniciou). Na sequência desses treinos, ele ainda hoje tem a delicadeza de dizer que eu lhe ensinei tudo o que sabe, mas claro que isso é um exagero da parte dele, já que por exemplo eu nunca lhe ensinei qualquer asneira!!!
Seguiram-se inúmeros sucessos nas provas militares e como já referido a vitória no CN. de Estafetas de 93/94. Posteriormente voltámos a ganhar de novo as Estafetas em 96/97, na Lagoa de Óbidos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Campeonato Nacional de Estafetas 2011 - Apontamentos


Começo por me penitenciar publicamente por ter "enterrado" a minha equipa de Estafetas, ao ser desclassificado por ter controlado um ponto que não era o meu (sim... eu sei que os pontos têm um código para confirmar que é o certo). Só posso alegar em minha defesa que nessa altura já estava a escrever o próximo post para aqui, que esperava iniciar de forma diferente...

Esta situação fez-me lembrar os tempos em que os professores tinham uma cana comprida como auxiliar educativo. Nessa altura havia sempre um aluno solícito que tratava de providenciar a referida cana, mas que acabava invariavelmente por ser o primeiro a dar uma voltinha nela. Isto vem a propósito de eu ter proposto um cajado de prémio para o mais pastor e logo na primeira oportunidade fiz por merecer essa honra, e a verdade é que fui mesmo presenteado com um cajado (obrigado franjinhas), ainda que fosse apenas uma das estacas do Ginásio.

Quem já se desclassificou numa prova sabe o que isto custa, mas neste caso ainda é mais complicado, já que se tratava duma estafeta, agravado pelo facto da minha Maria fazer parte da equipa (certamente vou ficar a pão e água) e ainda por cima o meu pirralho de 8 anos farta-se de gozar comigo (e todos sabemos como as crianças conseguem ser cruéis umas com as outras)! 
 Ofereço aqui este docinho ao Rui Botão em jeito de desculpa por o ter abandonado à sua sorte durante a estafeta. Depois de ter-mos controlado 3 pontos mais ou menos juntos (embora ele corresse mais que eu), estávamos a abordar o ponto 12 quando ele que ia à frente hesitou um pouco e parou a ler o mapa. Passei por ele, contornei uma área verde e piquei o ponto que devia estar a 10 metros do Rui. Como me pareceu que ele não me tinha seguido, saí de fininho pelo meio da vegetação e segui para o ponto seguinte. 

Nessa altura tive sentimentos contraditórios, já que senti alguma satisfação mas também algum remorso por não o ter chamado. Consegui apaziguar a minha consciência, dizendo a mim mesmo que por se tratar duma estafeta tinha agido bem, já que posso oferecer o meu esforço, mas não o dos meus companheiros de equipa. Se nessa altura não estivesse já desclassificado, agora estaria a pensar que teria sido castigo divino... Mesmo assim acabou por me voltar a apanhar e terminou antes de mim (claro que eu já tinha decidido que não valia a pena entrar em despique com ele, pois tínhamos saído na partida em massa).

 Já que entrei nesta senda de propor prémios especiais, vou sugerir e neste caso também atribuir o prémio do Controlar Mais Sorridente. Como já devem ter adivinhado pela foto o prémio vai para... Tânia Covas (.COM)!

 Não posso deixar de salientar o regresso às provas do Simões, um dinossauro da nossa modalidade, que havia 15 anos que não participava numa prova. Aliás, ninguém me tira da cabeça que o cheiro estranho que se sentia na floresta, e que muitos atribuíram erradamente à fábrica anexa, não era mais que o cheiro a naftalina e quem sabe algum mofo, do fato do Simões por ter estado tanto tempo arrecadado!

Irradiando simpatia o Simões deu-se ao luxo de parar para me cumprimentar quando o incentivei após partir e voltou a fazê-lo no ponto de espectadores depois de cumprimentar também o Sousa.

 Para os mais desatentos informo que o Simões integrou a Selecção Nacional que participou no WOC em 91 na Checoslováquia, tendo sido o nosso corajoso representante na Distância Longa, num percurso com 17 km (um destes dias volto a este tema).

Faço votos que ele tenha voltado para ficar.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Tenho uma nóda no peto ai ai; de me encostar ao cajado!

É impossível deixar de reparar nas várias formas de analogia entre a Orientação e a actividade da pastorícia. Isto fica claramente patente em diversos termos usados na nossa modalidade, quer para designar os praticantes, quer os seus desempenhos (curiosamente apenas os negativos).

De seguida vou referir os mais frequentes e respectivos significados:

Pastor - refere-se àquele que pasta (não ao que pastoreia), pretendendo dar a entender que fruto de erros de navegação acabou por percorrer muito "pasto"; corruptela do termo pastador (ou pastista...;o), que seria o mais correcto;

Rebanho - grupo de praticantes que se desloca em grupo, podendo ou não cooperar entre si. Como em qualquer rebanho há uma tendência para seguir o líder, mesmo quando ele se engana;

Manada - idem;

Carneirada - idem; expressão também em uso no Brasil, pois em tempos ouvi um brasileiro se referir a dois atletas tugas como: "Carneirada... de onde um tira o pé o outro põe!!!";

Pastar - acção de deambular no terreno sem sabermos exactamente onde nos encontramos. Os mais preparados usam as já aqui publicitadas técnicas do Quadrado e Caracol;

Chegar de barriga cheia - refere-se àquele que pastou muito;

Borregar - acto de falhar, normalmente por não encontrar o ponto.

No meio militar e em particular nos Comandos, rapidamente esta analogia teve materialização física, pelo aparecimento de cajados que, como se sabe, são uma ferramenta indispensável a qualquer pastor que se preze. Assim, era normal que um praticante que "pastasse" numa prova, fosse presenteado à chegada com o merecido cajado, que ele ostentava com muito embaraço.

Nos Comandos esta tradição foi levada mais longe e era criado um cajado para cada período de treinos. Após cada treino/competição o cajado ficava na posse daquele que tinha tido um melhor desempenho pastoril, e que assumia assim a incumbência de contribuir para a sua decoração. Esta era uma honra que ninguém ambicionava, já que quando regressávamos ao Regimento, o portador do cajado era alvo de chacota por parte dos restantes militares com quem se cruzava (havia sempre um de nós por perto para explicar a tradição).
Nas fotos podem observar um desses exemplares que ficou na minha posse (garanto-vos que isso não aconteceu por desempenho pastoril). Como podem ver o cajado foi acumulando várias gravações, sendo de destacar que uma delas até especifica quais os pontos que provocaram essa distinção. Alguns, numa clara demonstração de humildade gravaram o próprio nome; outros, mais reservados, apenas gravaram as suas iniciais.

Há muito tempo que não vejo alguém com um cajado...
Será que já não há pastores?
Porque não reavivarmos esta tradição e passar a atribuir também um cajado na entrega de prémios?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Lost in the translations!

Em virtude de ter um razoável domínio da língua da língua inglesa, sou com alguma frequência empurrado para a tarefa de tradutor, onde tenho que fazer um enorme esforço para superar a minha timidez. Vou de seguida contar-vos três dessas situações, que como é óbvio envolveram algum embaraço, pois caso contrário não teriam lugar aqui.

O meu primeiro “contrato” oficial de tradutor foi durante o Congresso da IOF, que decorreu em 1998, em Sintra. Na verdade neste caso era até mais do que apenas tradutor, já que estava a desempenhar tarefas de mestre-de-cerimónias. Acho que até me estava a desenrascar razoavelmente, mas o pior estava para vir. Após o banquete de encerramento, havia um membro da Direcção da IOF que tinha que ser chamado para receber um prémio, pelo que lá meti cordas-à-obra! E chamei a Iordanka (até aqui tudo bem, até porque já a conhecia pessoalmente) o pior foi a parte do apelido: Melnikliyska (agora olhando com mais calma até parece que não é assim tão difícil…). Confesso que aqui me espalhei ao comprido e foi uma risada geral (como é habitual devo ter corado de orelha a orelha). O que vale é que a visada também encarou a situação com um sorriso e tudo ficou bem.

Felizmente o meu desempenho como tradutor/speaker não impediu que esse Congresso da IOF, tivesse sido considerado um grande sucesso organizativo.

A minha segunda prestação com tradutor ainda foi mais desafiante, pois consistiu em fazer tradução simultânea durante a Prova de Aventura Raid do Guadiana – em 2004. Para os menos informados a tradução em simultâneo consiste em estar numa cabine com uns auscultadores, onde escutamos os discursos e ao mesmo tempo estamos a traduzir, para ser escutado por quem está na sala com auscultadores. Na prática enquanto estava a traduzir para inglês uma coisa que tinha acabado de escutar, já estava a escutar outra para traduzir. Garanto-vos que não é tarefa fácil, desde logo porque como sabem a construção das frases em inglês é muito diferente do português.

Apesar de tudo acho que até estava a conseguir traduzir a maior parte das coisas, apenas com algumas abreviações (é do senso comum que o inglês é muito mais conciso que o português…). As coisas complicaram-se quando o representante do turismo das “Terras do Grande Lago” (Lands of the Great Lake) começou o seu discurso. Para além de falar depressa, enumerou os méritos das “Terras do Grande Lago” até à exaustão, apenas para voltar a falar novamente nas “Terras do Grande Lago”… Já perceberam que comecei a ficar um pouco cansado de repetir “Lands of the Great Lake”, algumas dezenas de vezes e inebriado pelo poder que tinha na boca, disse ao microfone: “I’m sorry, but I´ll stop translating because it’s just bla bla bla”. 

O problema é que na minha ingenuidade, não antevi a reacção que isso acabou provocar: uma gargalhada de todos os que estavam a escutar a versão inglesa, que era a maioria dos gringos, enquanto eu me afundava na cadeira e também literalmente… (eu não referi mas tinha ao lado uma colega profissional, a traduzir para francês).

A terceira situação aconteceu mais recentemente, durante o Campeonato Mundial de Ori-BTT, que decorreu no ano passado em Montalegre. Durante a Cerimónia de abertura, lá fui outra vez endrominado para traduzir para inglês os discursos oficiais do Presidente do COP, do Presidente da FPO e do Presidente da CM de Montalegre. E o problema foi mesmo este último, que estava manifestamente entusiasmado por receber tantos estrangeiro na sua terra, pelo que falava durante muito tempo, abordando várias ideias distintas, que eu tinha que memorizar e traduzir posteriormente (aqui acho que me debati logo com o dilema terrível, se devia memorizar já em versão inglesa ou ainda por traduzir). 

Como já devem ter adivinhado (ou recordado os que estiveram presentes), acabei por tropeçar nos meus próprios pensamentos (ninguém me tira da cabeça que foi uma entrada à margem da lei de algum vocábulo inglês). Mais uma vez consegui arrancar uma gargalhada geral à plateia (espero que na maioria dos casos por solidariedade e compreensão), mas desta vez não me fiquei e mandei todos se calarem, pois eu estava a fazer o meu melhor ( I'm trying to do my best here. Shut up!”).

Felizmente, eu logo no inicio já tinha avisado os gringos que esperava ser melhor cartógrafo que tradutor… A verdade é que no final alguns dos indígenas locais vieram me felicitar, pois a minha tradução teria sido melhor que o original e ainda propuseram ao Presidente da CM, que me contratasse para futuros eventos. Não posso deixar de referir que o Sr. Presidente encarou toda a situação com um sorriso.

Lamentavelmente esta última situação ficou gravada para a posteridade, e numa demonstração de ausência de sentido do ridículo, disponibilizo acima para verem (agradeço ao Paulo Rocha - Activideo, pela cedência do mesmo).