Comentários

Estou à espera das vossas histórias!!!

Agora os comentários mais recentes ficam visíveis aqui ao lado. Os comentários a crónicas antigas já não ficam "perdidos" e todos sabemos o que isso custa...

Now the top chronicles will also be available in English. Look for the tag ENGLISH to see all of them. Have fun!

quarta-feira, 23 de março de 2011

TPL - Taça dos países Latinos


Em 1994 participei no Congresso da IOF em Varna - Bulgária, em representação da FPO. Num dos dias, em conversa com o representante da federação Romena, foi por ele sugerido que seria interessante criar uma competição entre os países Latinos. A ideia pareceu-me boa e rapidamente juntámos os representantes da França, Itália (Livio) e Espanha (Eusébio Garcia), para discutir essa possibilidade. Foi uma reunião complicada em termos linguísticos, já que o romeno, para além da sua língua, só falava francês, e os restantes para além das línguas respectivas só tinham um fraco domínio do inglês. Modéstia à parte acabei por assumir um papel relevante de multi-tradução, já que sou fluente em inglês e espanhol, domino razoavelmente o francês e ainda dou uns toques no italiano (típico desenrascanço português). Posteriormente a Bélgica também entrou para a TPL, e a competição foi também aberta aos países Latino-americanos.

Apesar da cacofonia linguística, a reunião acabou por ser muito produtiva, e para além de estruturarmos o modelo de competição, a constituição das equipas, ainda conseguimos alinhavar o calendário das 5 primeiras edições (definimos a sequência de países organizadores). Por uma questão lógica definimos o Francês como língua oficial, mas francamente reconheço que a língua dos francos acabou não resultar como língua franca, e na prática o inglês acaba por assumir naturalmente esse papel.

Nessa altura não tinha completa consciência, que tínhamos acabado de criar um evento  que me reservava alguns momentos embaraçosos, que começaram logo em 1995, quando desafiados a entreter os participantes num sarau, decidimos cantar em plenos pulmões o "Às 4 da madrugada um passarinho cantou...", conforme a foto seguinte documenta (felizmente sem som).


Para não quebrar a tradição, em 1996 mantivemos o nível na participação em Itália, como a foto seguinte ilustra.


Suponho que a maior surpresa para muitos de vocês, será constatarem que o Carlos Lisboa (alguns de vocês nem o devem conhecer, mas já usaram muitos mapas impressos por ele - RGB Imagem), já foi atleta e integrou a Selecção Nacional. Na verdade fê-lo por duas vezes, já que também participou no Camp. Mundial de Juniores na Roménia. Aqui lembro-me que num dos dias estava na Arena e já a prova estava praticamente terminada, quando me apercebo dum burburinho atrás de mim. Voltei-me e vi o Carlos Lisboa a fazer um "slalom" na minha direcção, fintando os organizadores, para se vir queixar a mim que "os maus" já tinham retirado alguns pontos, não lhe permitindo terminar a prova.

Mas o pior ainda estava para vir... em 1998, quando a prova se realizou em Évora, elevámos a fasquia para níveis que são difíceis de superar.


Por esta altura estava já instituída a tradição das equipas apresentarem um espectáculo artístico para oferecer às restantes selecções. Não tendo preparado nada com antecedência, fomos confrontados com a necessidade de encontrar alguma solução de recurso. Penso que rapidamente concluímos que não éramos possuidores de nenhuns dotes artísticos relevantes, pelo que tivemos que apostar na nossa inquestionável mais-valia: a beleza! 

Assim, decidimos apresentar uma passagem de modelos, em que eu assumi o papel de apresentador multilingue, que ia apresentando os vários modelos a desfile, que como podem verificar em nada ficam atrás duma ModaLisboa!


Há fotos de alguns modelos bem mais atrevidos (lembro-me de na altura eu próprio ter sido surpreendido com eles), mas que tive o bom senso de não os usar aqui (embora confesse que foi difícil resistir...).
Só a Emilia Silveira escapou a todo este "deboche", já que alegou uma indisposição para não desfilar.

Para não dizerem que é só desgraças refiro mais duas TPL.

Em 1999 a TPL decorreu em Espanha na Corunha, e o meu amigo Sousa não me iria perdoar se não fizesse aqui eco da sua brilhante prestação, ao se sagrar Campeão Latino e logo à frente do emergente Thierry Gueorgiou.


Em 2003 a TPL decorreu na França e embora não tenha estado presente, fui representado pela minha Maria, que fez na altura esta bela montagem de fotos.

terça-feira, 15 de março de 2011

MIA 2011 - The flying Madeirense!


Houve quem questionasse o interesse em ter o 200 imediatamente antes do riacho, no Meeting de Arraiolos. As fotografias que isso proporcionou penso que justificam essa opção, embora fosse possível ter o ponto no mesmo local, mas permitir que os áqua-fóbicos pudessem procurar uma passagem a seco legalmente (bastava abrir um dos lados do inicio do funil e todos ficariam contentes).

No entanto alguns atletas demonstraram que era possível passar o riacho sem se molhar, como a sequência de fotos do Sidónio Freitas prova. Claro que isso implicou tomar balanço e o tempo do sprint final acabou por não ser famoso (28 seg. o mais rápido fez 17!), pelo que fica claro que não foi uma opção eficiente... embora espectacular!

Claro que houve quem usasse outras técnicas, como foi o caso do Paulo Santos - CIMO. Mais uma vez a eficácia foi sacrificada em prol da espectacularidade...

sábado, 12 de março de 2011

Frases e pensamentos recorrentes na Orientação!

Para completar este artigo vou precisar da vossa ajuda!
Decerto que todos vocês já escutaram comentários interessantes e devem ter "um amigo" que já pensou umas bacoradas, que podem partilhar aqui.
Enviem comentários, que eu vou acrescentando no texto.

Antes da prova:
“Tive um problema no joelho e não tenho treinado nada!”
“Hoje vou devagar e aproveitar para fazer um treino!”
“Boa sorte!”
"Vai com calma, que se não pastares ganhas isto hoje" (P. Franco)
"Isto hoje não é para mim, é só correr" (P. Franco)
"Queres que espere por ti no triângulo?" (Nelson)
"..."

Durante a prova:
"Fonix, ainda nem cheguei ao primeiro ponto e já vou a passo!"
"Treta de cartógrafo... não percebe nada disto!"
“Viste o 103?”
“Vai, força!”
"Porra, até a bússola está contra mim... eu sei que não é para aí!"
“0 64 está ali atrás!”
“Sabes onde estamos?”
“Deixa-me ver onde é este ponto!"
&£#@$%!!!"
"Este gajo não desgruda!" (P. Franco)
Atrás deste não me aguento, daqui a nada estou a rebentar!" (P. Franco)
"Até parecia que eu estava parado (depois de um nórdico passar por mim a todo o vapor)" (Nelson)
"..."

Depois da prova:
“Ia a fazer uma prova espectacular, mas perdi imenso tempo no ponto 10!”
“Se não tivesse perdido aquele tempo no ponto 5, tinha ficado em primeiro!”
“Devo ter passado mesmo ao lado do ponto, mas não o vi!”
“Batia tudo certo, o caminho, a vedação… e afinal tinha saído na direcção oposta.”
“A partir do ponto 11 comecei a ter cãibras e arrastei-me até ao fim!”
"Se não fosse os 2 min que perdi para contornar a manada de vacas, ficava em primeiro!" (P. Franco)
"Se hoje não estivesse a chover, se o sol não brilhasse tanto, se não fizesse um calor dos diabos, se não estivesse um frio de rachar, se a minha bicicleta tivesse motor, se a lama não fosse tão espessa e se as pedras não escorregassem tanto a subir e a descer... e se a Luísa, a Fernanda e a Paula não tivessem vindo, eu tinha ganho de certeza!" (Margarida Novo)
"Que #$&#$&# de mapa é este??" (Nelson)
"..."

Puxando a brasa à minha palhacinha!

Meeting de Arraiolos 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

POM - Orgulho de ser português!

Aproveito estas sequências de fotos para prestar a minha homenagem ao GD4Caminhos, por mais esta excelente organização!

 
José Grada, 71 anos de fazer inveja a muito boa gente!

O José Grada foi o português mais idoso a participar no POM e classificou-se em 16º lugar na geral (H70). É uma presença assídua nas nossas provas, patenteando uma jovialidade que a todos cativa.
Não só pela idade, mas também pela sua postura, ele é de facto um exemplo na Orientação e por isso merecedor desta distinção!

 Tiago Aires, 13º classificado na Super Elite.

 Diogo Miguel, 20º classificado na Super Elite.

 "Ao passar a ribeirinha, pus o pé..."

CINCO DIAS PERDIDO NA SUÉCIA

Estou certo que muitos dos participantes no POM se identificam com algumas das angustias descritas pelo Manel de forma soberba, pelo que não resisti a recuperar agora este seu texto, apesar dele já ter uns aninhos.

Por Manuel Dias

O- Ringen 97, Vasterbotten, 21 a 25 de Julho

Demorei 6h 51m 24s para fazer os “cinco dias da Suécia”. Quase metade desse tempo andei literalmente perdido, mas foi uma festa. A começar pela cerimónia de abertura, onde desfilei com a bandeira nacional. A Rosário e eu éramos os únicos portugueses presentes; ela transportou a placa com o nome do país.

A dificuldade dos mapas escandinavos (do terreno, quero eu dizer) já se me apresentara na Finlândia, onde participei nas duas primeiras provas do FIN 5, mas foi na Suécia que me apercebi da exacta dimensão da «tragédia».

Caminhos, quase nem vê-los e, quando existiam, eram passados na perpendicular. Dos 47 pontos que tive de marcar (não contando os últimos, a preceder o balizado para a meta), 28 foram pedras. «Que bom», pensam vocês. «Que quebra – cabeças!», garanto-vos eu. Porque os mapas estão cheios de pedras e o terreno ainda mais. E há pedras que são apenas pedras, e pedras que são falésias, e pedras que são montes de pedras, e pedras que não sei o que são. Dá para perceber? Ainda bem que não dá. O melhor é irem lá ver. Se possível, com a mesma disposição com que eu fui: «Vim de férias», estou aqui para me divertir”.

Da temporada nacional do ano passado, deixei registadas na minha agenda 13 provas com tempos e distâncias. Andamento médio: 8,52/Km. Na Suécia: 15,48/Km. Não tenho espaço para explicar, peço que acreditem: foi uma curte!

A edição deste ano foi a menos participada desde 1977. Éramos 11 mil. O record continua a pertencer a 1985, com 23 mil.

A preparação de cada O-Ringen dura cinco anos. A organização do ano 2002 foi eleita do decorrer da prova deste ano: Vastergotland, Karsborg. Ao longo desse quinquénio são, a diferentes níveis de envolvimento, requisitados os serviços de 3500 pessoas. Nos dias da prova, o «staff» é de 900.
Na hora da verdade é quase impossível algo correr mal. Os concorrentes estavam distribuídos por 108 categorias (escalões e subescalões), com seis locais de partida, todos os dia. Junto de cada partida, funcionava uma mesa para os cartões de controlo dos retardatários. Nunca vi ninguém dirigir-se lá. Toda a gente sai na sua hora, inclusive no último dia em que há partidas cada 15 segundos.

A distância da concentração (chegada) ao local da partida variou entre 550 e 4500 metros. Sinalização inequívoca, abastecimentos de água, sacos para recolha de lixo, vários WC. Aconteceu-me chegar à partida duas horas antes de sair. Que espectáculo! Os vários tipos de aquecimento, gente que se reencontra, exercícios, concentração, nervosismo (pouco), os equipamentos, a última consulta ao programa de 200 páginas pendurado no tronco de um pinheiro, senta, levanta, limpa os óculos, confirma a hora no peitoral, um que sorri, outro que está sério. No meio de tanta gente, descobri que o Dragan (o amigo Jugoslavo) sai quatro minutos antes de mim é uma fonte de alegria, «boa sorte!», «boa sorte!».

Mas o festival a sério é na chegada. Um Woodstock sem «inconveniências». Centenas e centenas de bandeiras. Cor, agitação, relva, merendas, banquinhos, esteiras, bebidas isotónicas, pés ligados, caneleiras a meia haste, de pé, sentados, gritando junto ao funil, velhos, novos, bonitas, outras ainda mais bonitas. E , no meio desta babel, poder procurar uma sombra, deixar em fundo o bruá geral e mergulhar nos «Cuadernos da Patagónia» que o Hector trouxe da Argentina e fez o favor de me emprestar esta manhã.

Assistir à chegada do mítico Karl-Victor Ahokainen, com os seus 92 anos, e do campeoníssimo Jorgem Martensson, que fez a proeza de, ao cabo de cinco dias, levar apenas uma vantagem de 13 segundos sobre Lars Holmqvist.

- Alguém conhece outro desporto assim?

- Eu não conheço! Ao longo de cinco dias cumpriram mais de 37Km, correram sem se ver, escolheram os itinerários que lhes apeteceu, andaram o que as pernas e a cabeça deixaram e, no final, 13 segundos! Eh pá, eu quero andar nisto até aos 92 anos!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estágio de Natal 199?


Estes foram os 30 participantes no primeiro Estágio de Natal, que decorreu em São Pedro de Moel, tendo o alojamento sido na Colónia de Férias e as refeições na Residencial Miramar. Os treinos técnicos decorreram nos mapas de S. Pedro de Moel e de Picassinos.

Infelizmente já não estou certo sobre quem foram os outros monitores, mas penso que um deles era o Pedro Liberto (onde raio pára ele??).

Não me recordo de muitos pormenores sobre a forma como decorreu o Estágio, mas lembro-me duma Ana, duplamente Nova, que antes ainda do primeiro treino desatou a chorar por ter medo de ir sozinha. A solução encontrada foi ela fazer os percursos com o irmão (mais velho).

Os jovens eram oriundos de vários Clubes e muitos deles ainda continuam a divertir-se nas nossas florestas. Eu ainda consigo identificar a maioria deles, mas vou optar por deixar esse desafio para vocês. Quem está aqui que se acuse!

Ah... já me esquecia... também houve um concurso de construções na areia e estas mereceram fotografia!


Como diria o Dinis Costa "gatinhava a década de 90"... eu estou a investigar em que ano foi.... e depois completo!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Um encontro inusitado


Por: Dinis Costa

Gatinhava a década de oitenta, num dos corredores, labirínticos de linearidade, do Convento de Mafra (EPI) alguém me chama com força hierárquica. Era o Oficial PP, chefe da Seão de Educação Física.
- Estás nomeado para a equipa da Escola de Corrida e Orientação que vai haver depois de amanhã. Vou mandar passar a guia de marcha.
- Mas, dá licença, eu nunca fiz isso… Orientação.
- Mas já fizeste corrida e corres muito que eu sei, já tens 50% e outros nem isso fazem. Não venhas com desculpas. Estás nomeado. Olha que é depois de depois de amanhã e temos que ir lá dormir.

Nessa noite dormi pouco e mal, não se ouviram as asneiras mas pensei-as, antes de dormir ainda fui rever a forma como se tiravam coordenadas (que era o que fazíamos nas topográficas).
No dia seguinte mostraram-me uma Carta Militar com bolas (círculos) e os pontos (balizas) estavam no meio tinha-se que ir lá furar o cartão no quadrado certo. E, era só isso e depois correr, correr muito para chegar primeiro (dizia o Oficial PP).
Dito assim até parecia fácil.
Pelas quatro e meia alvorada, pequeno-almoço às cinco e meia no Regimento de Comandos, Unidade organizadora. Saímos às seis, ainda de noite, sem saber para onde nos levavam. À época havia sempre grande secretismo. A coluna pôs-se em marcha, apercebi-me que passámos a ponte 25 de Abril.
Fui sacudido e a minha cervical rangeu, abri os olhos, tínhamos saída da estrada, o sol já raiava na linha do horizonte. Passados alguns solavancos desconfortáveis a coluna imobilizou-se mas as portas não se abriram.
Vem a explicação, quando tivermos ordem vamos sair para a nossa tenda e depois de entrar não podemos sair, por isso muita atenção, não deixem ficar nada que necessitem. Saímos. Caminhámos alguns metros e vimos o bivaque (hoje chamam-lhe arena com alguma segurança porque já não existe cabeça de casal e se não há cabeça…) e lá estavam as tendas identificadas e alinhadas por unidades do Governo Militar de Lisboa (que já não existe) mulheres ainda não existiam.
 As latrinas eram a uns 50 metros e no respeito da direcção dos ventos dominantes. Uma vala com cerca de um metro de profundidade e dois de comprimento. Havia uma prancha de madeira ao través que estava dentada de meia-lua ao centro, do lado das arrecuas.
Um rectângulo vedado com panos de tenda, com sobreposição do lado da entrada, dava protecção das vistas
O fio de sisal, que já fora usado nos ilhós dos panos de tenda para lhe dar forma, passava pelo interior do rolo do papel de fax e ia abraçar um ramo que o mantinha suspenso, ao alcance da mão tomada que fosse a posição.
Necessidades de carácter sólido implicavam comportamento de felino doméstico com princípios de higiene, cobrir o que se fez recorrendo a uma pá que ali estava espetada num monte de terra fresca.
Se perguntarem o porque desta passagem? Eu respondo. É que eu fui lá, pelo menos duas vezes, na altura chamava-se nervoso miudinho ao stress. Mas, apesar de tudo, onde fiz mais foi durante o percurso.
Tudo balizado na área de partidas e aquecimento, balizamento guarnecido por meios humanos imbuídos de missão e autoridade cega a súplicas. Mesmo que fosse de forma tentada dava desclassificação e não se falava mais nisso. “Ninguém mijava fora do penico”, neste caso fora da latrina.
Havia um corredor que dava por quatro dos do convento, ou mais, - onde um jipe circulava e pode circular se necessário for e eu não deveria ter circulado. Corredor suficientemente largo que não permitia a comunicação - até a gestual ficava nublada.
Tudo que fosse para a zona chegadas já não regressava.
A transferência de qualquer equipamento tinha que ser solicitada. Se fosse autorizado, vinha um portador, da organização, que vistoriava. Havia sempre um controlo apertado até partir o último elemento. Só aos delegados era permitida alguma liberdade de movimentos, mas se fossem para junto dos atletas que chegavam já não podiam comunicar com os que ainda não tinham partido.
Fui chamado à boca pequena. Lá vinha mais uma ordem, e aquelas eram para cumprir sem hesitações.
- Estás a ver aquele e aquele ali? São os melhores!
Pelos comentários percebi que um deles era o campeão, na altura e pertencia aos Comandos.
- Vais partir no princípio, vais devagar e como corres bem... quando os vires zás que nem uma lapa. Percebes-te!
Ouviu-se: dentro de dez minutos vão ter inicio as partidas. Ouve-se o meu número e sobrenome no megafone, seguido da palavra prepara.
Entrei no funil pela parte mais estreita até ao gesto de alto. Parei.
- Pode seguir, são três minutos até à partida, sempre pelo carreiro.
A vegetação e o ondulado do terreno esconderam-me de imediato, lembro-me que o terreno era saibroso e a vegetação barrava-me o perscrutar distante.
Não tinha qualquer receio da floresta, cresci no seu ventre, o problema era como é que eu vou dar com os pontos a correr?
Deram-me a carta em silêncio e disseram:
- Pode partir.
Parti em corrida simulada e parei logo que deixei de os ver. Pus-me a mirar a carta enquanto matutava. Olhei para o primeiro ponto e comecei a caminhar na sua direcção. Havia um carreiro e mais à frente um aceiro que não estavam na carta.
Passou um atleta em saltos de lebre, mato fora, perdi-o de vista e de som.
Tudo que fosse recente não estava na carta e a vegetação também não. Relevo era reduzido para um transmontano. As curvas de nível estavam na carta, mas no terreno não eram vistas. De curvas eu só discernia sobre as dos caminhos o que de pouco me servia, os caminhos eram poucos. Havia e há outras curvas, conhecidas pelo instinto mas essas não eram para ali chamadas e se fossem desorientavam-me o raciocínio.
Tacteava o terreno com o olhar, em postura de Suricate de vigia, em busca de um vislumbre, de cor laranja e branco, e lá estava ele no final de um carreteiro bem aconchegado à vegetação para não se constipar e protegido de olhares indiscretos não fossem os atletas encontra-lo.
Havia que continuar, sempre pelos caminhos, nem que isso implicasse ir ao Samouco e voltar,
O próximo era uma pequena elevação no meio da floresta, pus-me na curva do caminho mais próxima e fiz, tracei uma mirada e lá vou eu, andei a distância julgada por conveniente, trepei a elevação, convicto. Pisei o mato todo e. nada! Aqui caíram-me as certezas da horta.
Atarantado olhei para outras elevações próximas e decidi subi-las e desce-las o mais depressa possível, usando a técnica do Caracol tonto e do Quadrado paralelepípedo.
Exausto parei no cocuruto da última, coçando a cabeça em silêncio, como quem caça à espera. Ouço barulho de ramos a partir e olhei, vi uma camisola que corria, jogando à cabra cega a cada raio de luz, sem pernas no meio da vegetação, que era mais que rasteira. Seguia com o olhar, baixando a silhueta, fez-se corpo e depois pernas e subiu a elevação mais distante, que ficava à minha direita, fez uma vénia quase imperfeita, penso que por respeito à baliza, e curvado foi-se sem delongas numa escorrega de fuga.
Reconheci-o, “era um daqueles” dos melhores. Olhei para ver a direcção e só já vi um recorte de nuca sobre silhueta que se esvaneceu rápido.
Levantei-me e fui a correr sempre a olhar para a pequena elevação não fosse ela sair do lugar numa distracção minha. Estava ali a baliza a rir-se de mim e a dizer o que eu não entendia.

Pensei: estive tão perto mas o caracol enrola de acordo com a sua natureza. O Raio do gastrópode terrestre, seu esqueleto e minha metáfora.
Desilusão, decepção, desfalecimento, descrença dúvida tudo eu senti naquele momento. Porrrrra para isto! Grande carvalho! Plantei vários naquela floresta onde não vi nenhum.
As calças começavam a ficar sem pernas e as pernas sem calças, e o corpo guardava as marcas das chicotadas recebidas da vegetação que se batia, sem arredar pé, na defesa do seu território.

Desistir só por cima do meu cadáver por isso havia que continuar sem saber para onde. Lembrei-me da direcção que o outro “campeão” tomou…


Nota: O primeiro passo da orientação em Portugal foi em 1977 quando três oficiais das FA (um de cada ramo) participaram no CISM (Camp. do Mundo Militar) como observadores.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pegar ou não pegar... eis a questão!

Desenho: Vítor Agostinho
 bip

bip

bip

bip

bip

BIP

Hei!!! Parem, parem!!! Voltem aqui!!! Isto foi só para ilustrar sonoramente este artigo e eu tenho uma perguntinha para vos fazer.

Antes de mais chamo a vossa atenção para o facto de eu ter esperado pelo bip mais forte antes de pegar nesta crónica. 
 
A minha pergunta é: Porque não fazem vocês isso antes de pegar no mapa na partida? Ah... e parem de assobiar e olhar para o lado. Eu sei que grande parte de vocês acha legitimo já ter o mapa na mão ao primeiro bip. Há alguns que acham até que podem avançar para a linha de partida. E claro, como em tudo há uns mais espertinhos que aproveitam para localizar o triângulo em contra-luz, colocando o dedo em cima, ganhando assim 0,02 segundos! Não vale a pena negar que eu bem os vejo! Ah... e essa desculpa da dor de costas por estarem dobrados não colhe.

Sejamos claros. A prova começa após o último bip (e sim... são 6 bips e não 5), logo só nessa altura é legitimo pegar no mapa. Aceito que para facilitar seja permitido levantar e segurar um canto do mapa, mas este tem que permanecer no cesto (este facilitar é a pensar mais na organização, pois doutra forma haveria que levasse um molhinho de mapas, que iriam ficando espalhados pelo caminho...).

Considero que esta é uma questão da mais elementar justiça, mas sei que muitos de vocês estão a pensar que é picuinhas da minha parte, que é uma questão irrelevante, que não há qualquer vantagem em fazer isso, ou ainda o argumento final que "todos fazem o mesmo". Ora a verdade é que, pelo menos eu não faço isso, e se é irrelevante porque o fazem???

As regras são para cumprir!

Por falar em regras... também está bem claro nas regras (desde logo no Regulamento de Disciplina) que as indicações dos elementos das organizações têm que ser respeitadas. Ora eu sei por fonte próxima, que mesmo atletas notáveis da nossa praça, reagiram de forma inapropriada até mesmo agressiva à recomendação da responsável das partidas numa prova do ATV, para só levantarem o mapa após o último bip... tss tss tss que feio!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Onde raio pára o Manuel Cardoso Ferreira?


Logo no primeiro artigo deste Blog fiz referencia a este "Dinossauro" da Orientação Portuguesa, referindo que foi ele a primeira pessoa a quem ouvi falar de Orientação e talvez que o facto de estar aqui hoje seja o resultado da forma apaixonado como o fez.

Mais do que uma busca de facto pelo Cardoso Ferreira, já que tenho mantido contactos regulares com ele, quero prestar aqui uma homenagem a este grande Senhor, que está a passar por problemas de saúde complicados, mas estou certo que com a sua determinação, irá seguramente vencer mais este desafio.

Conheci-o no longínquo ano de 1989, quando era Major e comandante do Batalhão de Instrução nos Comandos, em que eu estava incluído como instruendo. Já nessa altura era muito considerado no meio militar e recordo que tinha dois cognomes, cujas histórias desconheço: Capitão Granada e Máquina!

Foi também ele que incutiu em mim o gosto pelas actividades de cordas verticais, para as quais tinha já uma natural aptidão e não esqueço que me transmitiu o "segredo" de descer a corda de 10 metros invertido e sem mãos.
Embora fosse um Oficial Superior, sempre aplicou essa "superioridade"  sob a forma de trato afável e próximo aos seus subordinados, granjeando estima e admiração de todos eles.

Posteriormente estivemos juntos no projecto da Secção de Orientação da Associação de Comandos, que teve como ponto alto a obtenção do terceiro lugar no Campeonato Nacional de Estafetas em 1995/96, na Atalaia, em que para além de nós os dois, fez parte da equipa o nosso amigo Joaquim Sousa. O Cardoso entrou na equipa por impedimento do Paulo Alípio, o que ainda tornou o resultado  mais saboroso.

Mando aqui um grande abraço para o meu amigo Manuel, com votos de rápidas melhoras e renovo o desafio para se voltar a perder entre nós!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

16º Aniversário do ATV


O ATV comemora hoje 16 anos de existencia, oferecendo a todos os interessados 16 actividades diferentes durante o dia, entre as quais não podia faltar a Orientação.

Parabéns para nós!!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

10000 visualizações!

 Este Blog atingiu hoje a marca mítica das 10000 visualizações e agradeço a todos os que contribuiram para isso.

Em jeito de celebração retorcida decidi trazer à luz do dia um outro Blog meu, que tem estado a marinar nas últimas semanas: www.maisumdesterro.blogspot.com

Como já tinha partilhado com vocês o "maisummapa" está agora aberto a receber contributos de todos os interessados, pelo que não quero publicar aqui opiniões polémicas, que decerto iriam inibir essas participações. Claro que não me passou despercebido que o artigo mais lido aqui foi também o mais polémico, embora seja de baixo teor humorístico...
 
Como não consigo ficar calado mais tempo e nem sempre é adequado comentar noutros blogs, optei por criar este, onde irei publicar hoje o primeiro artigo. Podem é claro optar por seguir os dois, ou apenas um deles.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ELF - Authentique Aventure (parte 1)

O ELF - Authentique Aventure foi uma prova de aventura, que decorreu no Nordeste Brasileiro em Abril de 2000. Foi a minha primeira experiência internacional da Aventura e fizeram parte da equipa comigo a Maria Amador, o Alexandre Guedes da Silva, o Rui Rocha e ainda na Assistência a Alice Silva, a Fátima Pedreira e o Diogo Rolo. A prova teve uma extensão de 800 km e durou 12 dias "nonstop", pelo que como devem imaginar, há muitas histórias para contar, pelo que decerto que voltarei a este tema. Na verdade esta aventura começou vários meses antes com os treinos, continuou com as viagens e prolongou-se ainda algumas semanas após o fim da prova.

O artigo que se segue foi escrito na altura.


De repente tomei consciência que a prova tinha acabado e fiquei triste!

Na realidade acabáramos de iniciar a última etapa e estávamos a navegar à vela em excelente ritmo. Eu estava recostado no barco sem nada que fazer e toda a pressão dos últimos dias abateu-se sobre mim apanhando-me completamente desprevenido. Tinha definido como meu objectivo chegar ao fim sem uma beliscadura no meu sentido de humor e até então tinha-o conseguido. Mas ali, naquele barco, baixei a minha guarda e eis que me deixo abater e fico cabisbaixo, sorumbático, quiçá macambúzio! Pela primeira vez deixo que o estado dos meus pés, que na altura para além da cultura extensiva de fungos estavam bastante inchados e com um aspecto putrefacto, me perturbe e incomode. 
Os meus delicados pézinhos...
Felizmente, depois de entrarmos na zona de mangue o vento parou e tivemos que remar para podermos progredir! Tinha novamente acção pelo que me voltei a animar, saindo do torpor em que havia mergulhado. Pela frente tínhamos ainda uma noite passada no barco ao sabor das ondas e debaixo de um céu magnificamente estrelado.

Lançámos âncora junto a uma povoação de pescadores, mas não podemos desembarcar pois não havia nenhum cais e as margens eram um autêntico lamaçal. Comemos alguma coisa e acomoda-mo-nos o melhor possível, para dormir algumas horas. Era-mos cinco, numa embarcação pequena e os espaços disponíveis para além de exíguos eram bastante desconfortáveis. Por fim consegui adormecer, mas o sono foi bastante atribulado tendo acordado sobressaltado e confuso, sem saber onde estava e com a sensação de que tinha estado o tempo todo em movimento. Resolvemos avançar até ao último ponto de controlo, do qual só podíamos sair às seis da manhã. Chegámos lá ainda muito cedo, pelo que tivemos que esperar sob um ataque cerrado de pequenos mosquitos que pareciam conseguir entrar em todo o lado e arrancar-nos pedaços de pele. Finalmente o controlador deu sinal de partida e mais uma vez subimos a vela para aproveitar o vento que soprava na direcção da meta. Passado pouco tempo já avistávamos a praia onde algumas pessoas, bem menos do que eu esperava, aplaudiam a chegada das equipas.

Tínhamos chegado ao fim! Cumpríramos o nosso objectivo (não no que diz respeito à equipa pois o Rui Rocha ficara pelo caminho) para o qual nos havíamos preparado durante meses! Haviam-se acabado as noites mal dormidas num qualquer alpendre! Finalmente podíamos descansar e recuperar das mazelas dos últimos dias! Pela frente tínhamos quatro dias num hotel junto à praia! Então porque é que eu não estava contente? Porque não festejei euforicamente o nosso grande feito? A resposta a estas perguntas é o facto de ter tomado consciência que aquilo significava o fim da nossa aventura! Penso que a Maria, embora feliz por finalmente ter conseguido terminar um grande Raide, partilhava comigo a melancolia de ter chegado ao fim. 

Por outro lado o Alexandre estava radiante e parecia um puto a pular de contente e a abraçar toda a gente que passava ao seu alcance. Esse sentimento era compreensível, principalmente depois de alguns dias antes ele ter tido que tomar a difícil decisão de ficar de fora, por não haver ninguém para fazer equipa connosco nos kayakes, tendo sido salvo no último minuto pela Bia (brasileira que se juntou a nós nas últimas etapas). Esta por seu lado conseguiu terminar a prova desperta, depois de ter conseguido fazer as ultimas etapas connosco, num aparente estado de sonolência constante.

Esta aventura chegara ao fim, mas certamente outras nos esperam!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

That's the way you do it!

 Singela homenagem a um grande campeão, que usa o SI de forma estranha e precisa melhorar a pontaria...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A primeira prova "a sério" da Liliana

Por: Liliana Oliveira


Muas, Outubro de 2004, Taça dos Países Latinos 2004, Vila Real

Primeiro dia. Acabadinha de vir da 'dificuldade' dos Iniciados Femininos do Desporto Escolar, em que a Orientação se resume a "caminho, caminho, caminho", fiz a minha primeira prova, envergando, literalmente, a camisola do CPOC. De caminhos passei a calhaus. Nem carreirinho à vista! E ali estava, com idade para fazer Iniciados, capacidade técnica de Infantis e a competir nos Juvenis. LOUCURA TOTAL!! Via as minhas "adversárias" (sim, entre aspas, que, depois de passar pela Dança e a Natação, considero que na Orientação não há disso!) a passar por mim a correr, calhau acima, falésia abaixo, como se não houvesse amanhã, e eu ali, sem fazer a menor ideia de onde estava. Calhaus a norte, a sul, a este e a oeste... Era tudo igual! 

"Porque não as seguias?", podem vocês perguntar-se, mas eu, naquele momento, era, oficialmente, uma verdadeira orientista. Tinha número da FPO e tudo, pertencia a um clube, e os verdadeiros orientistas não andam na cola (ah, ingenuidade de "caloira" nestas andanças e dos meus 14 anos!), nem perguntam onde estão: relocalizam-se! (esta parte já era só teimosia de Liliana Oliveira, nada mais).

Depois de ter, quase por milagre, encontrado os primeiros pontos, eis que chega o 7º. Corri, andei, subi montes, desci, trepei pedras à maluca, até que deixei de ver pessoas, mas, para mim, estava tudo bem. Subitamente vi um muro de pedra. Referência fixe! Olhei para o mapa, e nada de muro de pedra... Estranho... Havia um monte gigante nas imediações, pelo que Liliana Pernas de Oliveira (sim, que, na altura, ainda as tinha!) começa a escalá-lo, uns bocadinhos correndo, outros mais devagar, até que, finalmente, cheguei ao topo. Sentei-me numa pedra que lá havia e toca de desdobrar o mapa e avaliar a situação. Pois bem, já tinha saído do mapa ao tempo! Do outro lado do monte (montanha, vá) havia uma estrada, estrada essa, supus eu, que era a mesma que ia dar à arena. Fiquei ali sentada uns bons 10 minutos, enquanto os pólos da minha personalidade claramente bipolar se debatiam: de um lado estava a Liliana Derrotista Mal-Humorada Oliveira, gritando que nem uma louca coisas como "Mas por que é que te meteste nisto? És sempre a mesma coisa! Perdida em Vila Real, tão longe de casa... Pega mas é na estrada e desiste já, para fazer uma prova tão má, mais valia ter ficado em Sintra! Mas que raio de desporto é este? Saí eu da Dança, o amor da minha vida, para vir para aqui? Nunca mais cá ponho os pés!", e do outro lado estava a Liliana Teimosa Persistente de Oliveira, que dizia "Não! Não vim de tão longe para desistir! Vou acabar isto, e é já! Não me chame eu Liliana Oliveira se não acabar esta prova, com os pontinhos todos picados!". Ao fim dos tais 10 minutos, os dois pólos estavam empatados, pelo que comecei a descer o monte sem saber muito bem o que ia fazer. Ao levantar-me da pedra, olhei em frente e avistei um Alvão que nunca esquecerei: um manto cinzento, cobrindo montes e vales, com o céu azul como fundo, com aldeias espalhadas aqui e ali, e pequenos bosques (muito pequenos!) distribuídos por aquele pedaço de serra... Lindo!

Às tantas, sem pensar, dirigi-me à estrada. "Bem, parece que a Derrotista ganhou... Vamos lá aproveitar este bocado para uma corridinha". Já descontraída, corria pela estrada, com o mapa praticamente no bolso, até que avisto um pequeno parque de estacionamento na berma da estrada, com uma falésia intransponível por trás. "Eláááá!!", pensei. "O meu ponto 7 ficava junto a uma coisa destas!". Parei, olhei para o mapa mais uma vez, e lá apareceram elas novamente, a Derrotista e a Teimosa a gritar cada uma para seu lado. Ignorei-as, olhei para a falésia, sorri e segui. Encontrei um bom sítio para subir, e, sem dar pelo tempo a passar, estava no ponto 7. Naquele momento, se fosse hoje, teria pensado "siga life!", e, com menor ou maior dificuldade, acabei o percurso, com uns estrondosos 35 minutos para o ponto 7, e 2 horas e 27 minutos para um percurso de cerca de 3 km. Já as pessoas com quem estava pensavam o pior, já a organização estava a desmontar a arena, mas eu cheguei, com a prova feita, algo triste por ter feito tanto tempo, mas feliz por ter dado a vitória da discussão ao meu lado persistente.

Houve mais três dias de prova, e, às tantas, comecei a apanhar-lhe o jeito. Mais importante que isso, diverti-me! E, o que é verdade, é que, após 6 anos, cá continuo. Nunca na vida corro como corria naquela altura, mas, também, já sei melhor o que faço quando ando de mapa na mão no meio da floresta. Ah, e, verdade seja dita, não era um pequeno percalço como Muas que me tiraria um dos maiores prazeres da vida: a Orientação.

Apesar de, em momentos de crise, os dois pólos da minha personalidade me parecerem estar em igualdade de força, a Liliana Teimosa Persistente de Oliveira acaba sempre por levar a melhor!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Técnicas do Caracol e do Quadrado



Partilho agora convosco um excerto do DVD Aprender, produzido pela FPO há alguns anos e distribuído pelas escolas do país.

Este foi sem dúvida um projecto muito meritório, pois trata-se duma ferramenta muito útil para a apresentação da Orientação nas escolas, permitindo dar uma visão global da nossa modalidade.

No entanto também neste "bom pano" caíram algumas nódoas, das quais destaco as técnicas do caracol e do quadrado. De facto quando comecei a fazer Orientação (na pré-história), ainda cheguei a ouvir falar destas técnicas, mas já nessa altura estavam em completo declínio, sendo até alvo de piadas entre nós. Foi pois com muito espanto que as vi publicitadas neste DVD e ainda por cima com tanta convicção...

Reparem no pormenor de ser a partir dum local bem referenciado no mapa... se sabemos onde estamos e conseguimos fazer quadrados perfeitos ou uma linda espiral... acho que também conseguimos ir na direcção do ponto!

Vejam e aprendam... nunca é tarde para implementar novas velhas técnicas com resultados garantidos (podem é demorar um pouco...)!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Video promocional do Instituto Geográfico do Exército

Um obrigado ao Crispim Junior por ter desenterrado este tesourinho! (40seg)

Já lá vão alguns anos (quantos?? bem, muitos...) eu, a Kátia Almeida e o Pedro Nogueira fomos "contratados" para protagonizar um pequeno filme promocional do IGeoE, que aqui vos disponibilizo. Eu e a Kátia estamos exactamente na mesma (parece que o tempo nem passou por nós), já o Pedro cresceu um pouco...

Nessa altura o nosso super fotógrafo Higino Esteves, aproveitou para fazer um portefólio de fotos, das quais disponibilizo algumas.

AH! A Kátia e eu também fomos estrelas dum vídeo promocional do Campeonato Ibérico de Entre os Rios em 93, que passou no canal 1 da RTP. Dão-se alvissaras a quem desenterrar esse tesourinho!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Estudo aprofundado aos "colas"!

Já devem ter percebido que este termo "colas", pretende designar os mamíferos que optam por realizar os seus percursos seguindo outros atletas, em vez de navegar individualmente.

Sei que será uma surpresa, talvez até um choque para muitos de vocês, saberem que em tempos houve praticantes que abdicavam do prazer da Orientação, convertendo as provas em verdadeiros corta-matos, apenas com o objectivo de conseguir obter uma melhor classificação.
Prémios monetários?! Não, nada disso, os prémios eram como agora meramente simbólicos (e também muitas vezes de gosto duvidoso).

Estes seres sempre me intrigaram e fascinaram, pelo que numa tentativa de os compreender melhor, fiz um estudo aprofundado deste ramo humanóide, tendo concluído que se dividiam em três classes distintas:

Colas cooperátis
Estes espécimes eram normalmente encontrados aos pares, embora também tivesse havido alguns avistamentos em bandos (vulgo carneirada). Aplicavam uma técnica conhecida na altura por coopOrientação, que implicava uma permuta contínua de informação em movimento e aproximação em linha (lado a lado mas afastados) às balizas. Por norma esta técnica era aplicada por elementos do mesmo clã e/ou com relações de amizades, mas não era raro ser praticado entre desconhecidos, mesmo que falando línguas diferentes.

Colas parasitus silentius
Embora os silentius fossem autênticos oportunistas, tinham consciência que estavam a fazer algo errado, pelo que mantinham uma postura discreta e silenciosa, havendo até relatos de manifestações de agradecimento na chegada. Existiam dois sub-tipos de silentius: os que apesar de tudo continuavam a olhar para o mapa, tentando acompanhar a progressão, e aqueles que pura e simplesmente guardavam o mapa no bolso (é verdade que alguns ficavam tão cansados, que mesmo que quisessem seriam incapazes de olhar o mapa) e se concentravam apenas na perseguição.

Colas parasitus xattus
Estes eram os mais incómodos, pois tentavam esconder a sua prática condenável, nunca deixando de olhar o mapa (mesmo sem saber onde estavam) e estando sempre a dar palpites (normalmente disparatados) sobre a navegação. Entre eles haviam alguns muito bons fisicamente, que achavam meritório contribuir com incentivos anímicos ao colado, que apenas tinham o condão de provocar irritação. Era frequente que os xattus fizessem um sprint ao avistar a baliza, acabando por serem os primeiros a picar, após o que paravam a consultar atentamente o mapa, acabando curiosa e invariavelmente por escolher a mesma opção do colado. Normalmente eles tinham orgulho no sucesso das suas perseguições e gostavam de partilhar essas façanhas com os amigos.

Felizmente tudo isto não passa duma difusa memória pré-histórica, já que o Orientistis sapiensis se caracteriza por um respeito total pelas regras da modalidade, pondo sempre a justiça desportiva acima dos seus mesquinhos interesses pessoais.

Ah… é verdade! A minha Maria está sempre a reclamar que prometo histórias, mas depois ponho-me só com tretas. Estas duas são para ti fofinha!

A primeira aconteceu num Campeonato das Forças Armadas, acho que em 1993 mas já não me lembro onde foi e aborrece-me ir investigar. Nessa altura eu já era uma “lenda” na Orientação, pelo que era referenciado como um potencial “colado”, sendo por vezes alvo de autenticas esperas, logo no triângulo de partida. Nessa altura, talvez fruto das técnicas aprendidas nos Comandos (entre elas a mítica técnica da Pacaça, que não posso descrever senão depois teria que os eliminar) e uma boa condição física, conseguia por norma despistar os seguidores.

No entanto no segundo dia deste Campeonato, apanhei um atleta da GNR no ponto dois, que se colou com tal empenho e astúcia que não logrei fugir dele. Era claramente um silentius, pelo que o fui tolerando embora acumulando algum desagrado. O pior aconteceu quando chegamos ao ponto 10, onde o meu “colas” foi recebido com surpresa por outro atleta da GNR que estava a picar esse ponto e que tinha partido largos minutos antes dele. Fazendo jus à sua condição de silentius o meu companheiro forçado limitou-se a apontar para mim, deixando claro a quem pertencia o mérito e estendendo logo o convite para ele se juntar a nós.

Seguimos em patrulha durante mais alguns pontos, até que decidi que se impunham medidas drásticas, para pôr fim ao comboio. Após picar um ponto que ficava perto dum caminho, segui até lá, procurei um local confortável e sentei-me, dizendo-lhes que não saía dali enquanto eles não fossem embora. Tive é claro o cuidado de explicar que lhes bastava seguirem aquele caminho, virar à direita no cruzamento, etc, para irem até ao ponto seguinte. 

Durante algum tempo tentaram demover-me (ou seria mover-me? talvez comover-me?), referindo que eu estava a fazer uma excelente prova, bla bla bla. Mantive-me inflexível e eles acabaram por seguir o seu caminho, após o que me atirei a direito pelo mato, acabando por terminar 15 minutos antes deles. Não é para me gabar, mas nesse ano mesmo assim acabei por ser campeão das FA! Que saudades desses tempos… (os nomes dos intervenientes nesta história foram propositadamente omitidos, porque não tenho qualquer interesse em ter problemas com eles).

Acalmem-se que a segunda história é mais breve e apresenta um lado positivo das colas.
Num percurso realizado na Praia da Vieira, apanhei um atleta cuja prova não lhe estava a correr nada bem, que me disse claramente que iria atrás de mim e para eu não lhe ligar. No fim veio ter comigo e agradeceu-me pela sua melhor lição de Orientação de sempre.

A lição deve ter sido mesmo boa, pois agora ele ganha-me sempre!