Comentários

Estou à espera das vossas histórias!!!

Agora os comentários mais recentes ficam visíveis aqui ao lado. Os comentários a crónicas antigas já não ficam "perdidos" e todos sabemos o que isso custa...

Now the top chronicles will also be available in English. Look for the tag ENGLISH to see all of them. Have fun!

domingo, 8 de maio de 2011

Despojos de Cartografia

Na pré-história o Homem era principalmente um caçador recolector. Eu nunca fui caçador, mas estou sempre disponível para recolectar, mesmo quando estou a fazer mapas. A foto acima mostra alguns dos objectos que fui recolhendo enquanto cartografava. Como podem ver tenho uma predilecção por objectos metálicos, que nem precisam de ser brilhantes. Todos foram encontrados "no meio do mato" e alguns deles tive que os carregar algumas horas e por vezes alguns quilómetros. Ainda me consigo lembrar onde encontrei a maioria deles, pelo que não deixam de ser lembranças dos vários projectos de cartografia que tenho desenvolvido.

Os mais atentos já devem ter reparado naquele que será porventura o o objecto mais insólito: uma ratoeira para animais de grande porte (normalmente usada para apanhar coelhos). 
Será seguramente uma surpresa para vocês se vos disser que ela foi encontrada em Monsanto! Não, não, estou mesmo a falar do Parque Florestal de Monsanto em Lisboa. Na verdade enquanto estava a adaptar o mapa para O-BTT, encontrei não uma, mas duas ratoeiras destas. A outra entreguei-a aos serviços do Parque, para que tivessem conhecimento da situação, já que constitui um verdadeiro perigo, para quem por lá anda a passear, ou a orientar...

Ah, mas as surpresas ainda não acabaram por aqui, já que uma delas tinha um brinde: uma raposa. 
Sim... acreditem que eu não fiquei menos surpreso, quando vi a raposa a debater-se para tentar libertar uma das patas dianteira que tinha sido apanhada na ratoeira. Confesso que foi com algum receio que me aproximei, para afrouxar a ratoeira e libertá-la. Curiosamente a raposa ficou tranquila, embora receosa, enquanto eu abri a ratoeira e já livre afastou-se sem grandes pressas. Claro que a pata em questão ficou muito maltratada, mas suponho que mesmo assim ela terá conseguido sobreviver.

Da próxima vez que andarem a correr na floresta... vale a pena pensar nisto! (bem... se calhar é melhor não pensarem... a não ser que compitam no meu escalão ;o)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tira Tira Tira!

Estas fotos são do Campeonato Ibérico de Entre-os-Rios - 1993, e como podem constatar antigamente as arenas eram muito mais animadas do que são agora. 

Porque entendo que o mérito artístico deve ser sempre acarinhado e reconhecido (desde logo porque pode servir de incentivo a outras performers), faço questão de identificar estas miúdas artistas: Kátia Almeida, Alice Silva e Teresa Marques.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sobe e desce

Mais uma vez penso que é fácil entender qual o objectivo desta actividade... mas mesmo assim aqui vai uma breve explicação. Devem avaliar qual o comportamento do terreno ao longo de cada seta, desde o seu inicio até à fim (ponta), indicando (s)-sobe e (d)-desce. 
A solução da seta A é: desce-sobe-desce (dsd). Se quiserem podem me enviar as vossas soluções...
Divirtam-se!

domingo, 1 de maio de 2011

Comandos - fui por engano, fiquei por gosto

 
Já por várias vezes fiz aqui referência à minha passagem pelos Comandos. Como é impossível ignorar 8 anos da minha vida, e também porque sem essa experiencia estaria eventualmente a vender ferragens ou a plantar batatas, em vez de estar a fazer mapas, vou contar rapidamente como lá fui parar.

Decerto que os mais atentos de vocês já se interrogaram como é que um saloio, doce e sensível como eu, foi parar aos Comandos (ou visto por outro prisma, como é que um Comando pode ser assim doce…). Pois bem a resposta é simples por acaso e por engano.

Como todos os Mancebos da minha geração quando fiz 18 anos, tive que ir à Inspecção, para avaliarem se estava apto para o serviço militar, que na altura era obrigatório. Assim, lá recebi a minha primeira guia-de-marcha, que dava direito a um bilhete de comboio, para me apresentar em Coimbra. Nessa altura a Inspecção durava dois dias, que no meu caso foi uma autêntica aventura, já que foi a minha primeira noite sozinho fora de casa (eu referi que era saloio...).

Durante esses dois dias fui sujeito a vários exames médicos e realizei diversos testes psico-técnicos, nos quais me apliquei a fundo, em mais um reflexo da minha ingenuidade saloia. No final dos exames fui chamado à presença dum capitão, que com um ar cândido me felicitou pelos resultados dos meus testes e me disse que tinha que escolher uma das três tropas especiais (Pára-quedistas, Fuzileiros e Comandos). Aqui está a parte do engano, já que só iam voluntários para as tropas especiais, logo eu PODIA escolher uma delas. Confrontado com essa decisão que nunca me tinha passado pela cabeça, rapidamente exclui os Fuzileiros já que a minha relação com a água é complicada. Sobraram os Páras e os Comandos. A ideia de saltar dum avião ainda hoje me assusta, pelo que me decidi pelos Comandos.

Nessa altura os Comandos estavam "na berra" por terem morrido dois instruendos, pelo que comecei logo a ter uma ideia de onde me tinha metido, quando saí da sala e disse que ía para os Comandos e todos me olharam como se eu fosse louco.

Nessa altura foi-nos atribuído um número (mecanográfico), que tínhamos que ter sempre na ponta da língua, e curiosamente passados mais de 20 anos ainda lá continua: 19976989. A inspecção terminou com a praxe habitual de retardarem a nossa saída do quartel até escassos minutos antes da partida do nosso comboio, fazendo com que tivéssemos que correr desalmadamente para chegar a tempo.

Uns meses depois fui intimado a comparecer no Regimento de Comandos na Amadora, para realizar testes adicionais para avaliar se tinha potencial Comando. Provando que não tinha aprendido nada em Coimbra, voltei a aplicar-me nos testes e fiquei apurado.

Assim, no dia 20 Fevereiro de 1989 apresentei-me no Reg. Comandos para iniciar o Curso. Como tinha o 12º ano, integrei o CGM (Contingente Geral de Milicianos) que formava os futuros Sargentos e Oficiais. Os primeiros tempos foram "tranquilos" enquanto decorreu a formação geral, consistindo basicamente na Ordem Unida (marchar), teoria militar e manuseamento da G3, referida na altura como a nossa namorada, da qual tínhamos que saber o número (esse já esqueci), conhecer as peças todas (ainda sou capaz de as enumerar todas e para o provar refiro apenas que a G3 tem um calibre 7.62 e tem o cano com 6 estrias no sentido dextrossum) e conseguir desmontá-la e montá-la de olhos vendados em menos de 1min. (mais tarde cheguei a ter 4 armas diferentes desmontadas, para montar de olhos vendados).

As coisas complicaram-se "um pouco" com o inicio do Curso de Comandos, sendo talvez o mais chocante verificar que o nosso Sargento (Tovim) mais porreiraço, que até contava anedotas, apareceu com o cabelo rapado e se transfigurou num ser abominável e com laivos de sadismo.

Encarei todas as dificuldades com resignação e rapidamente aprendi que o melhor era manter um "low profile", não me destacando nem pela positiva nem pela negativa. Mesmo assim o meu superior intelecto e capacidade física acabaram por se revelar e passadas umas semanas fui escolhido juntamente com mais 15 camaradas (sim porque colegas são as p....), para integrar o COM (Curso de Oficiais Milicianos), de onde sairíamos Aspirantes. O resto do Curso decorreu sem grandes sobressaltos (uma sucessão de "um minuto para formarem", "em cima de braços", "abaixo acima", "saltou saltou", "abriu fechou", "tá a rastejar até mim" e "não quero ver ninguém") e passados 4 meses do inicio dessa aventura, era um garboso Oficial do Exército Português, recebia o crachá e a boina Comando,  e ficava a comandar um Grupo de 30 Comandos, durante mais um ano (o meu serviço militar obrigatório foram 16 meses).

Durante o Curso tive formação de Topografia, incidindo em particular no uso das Cartas Militares e no ano que se seguiu foram inúmeras as situações de uso delas, mas só  em 1991 tive a minha primeira experiência de Orientação, que já aqui contei.

Após o SMO acabei por ficar 6 anos contratado, e durante esse periodo aconteceram muitas outras histórias relacionadas com a Orientação, mas ficam para outro dia pois esta crónica já vai longa...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

POM Ori-BTT Dist. Média - minhas "melhores opções" das Elites

O mapa acima tem assinaladas aquelas que eu considerei as melhores opções para os percursos das Elites. Para ajudar a perceber a sequência dos pontos, deixei os traços de ligação entre pontos: HE -Vermelho, DE-Azul. Como é óbvio as minhas opções são discutíveis, mas podem reparar que não há situações de "sobe-desce-sobe-desce", a que alguns de vocês se referiram...

terça-feira, 26 de abril de 2011

POM Ori-BTT, curiosidades, apontamentos e agradecimentos

Começo por destacar o gesto altruísta e generoso do Daniel Costa do COA, que não hesitou em comprometer o seu resultado na prova de estafetas, regressando à partida para informar que a jovem Sofia Gomes do BTTLoulé, tinha se aleijado e precisava de ajuda. Foi completamente merecida a homenagem que lhe foi prestada durante a cerimónia de entrega de prémios!

Este foi também o meu momento mais complicado de toda a prova, pois apenas fui informado que alguém tinha sofrido uma queda perto do ponto 101 e que precisava de ajuda. Não fazia qualquer ideia sobre a gravidade da situação, quando para lá me dirigi de moto4. Para prolongar o meu sofrimento, ela afinal estava longe do 101 e demorei algum tempo para a encontrar. Só quando cheguei junto a ela, percebi que afinal a situação não era grave e consegui me acalmar (e ao resto da organização e também à mãe da Sofia, que estavam em polvorosa).

Não posso deixar de referir os proprietários da Quinta de Santo António, na pessoa do Sr. Eng Torres Paulo (destaque também para a simpatia e disponibilidade do Sr. Luís Gomes, responsável pela quinta) , que foram duma generosidade extrema, ao nos permitirem realizar as provas na sua propriedade, bem como toda a boa-vontade para "ocuparmos" a quinta durante dois dias. 

Estava a cartografar o mapa ainda sem ter encontrado o local ideal para a Arena, quando entrei na Quinta e olhei pela primeira vez para aquele espaço. Logo me apercebi do seu potencial e imediatamente enviei um sms para o meu contacto na CM Cadaval, a solicitar o contacto dos donos da Quinta. Após obter esse contacto telefonei imediatamente ao Eng. Torres Paulo, expliquei quem era e o que pretendia, e perguntei se podia passar pelo armazém da Frutus, onde ele se encontrava para poder falar pessoalmente com ele. Ele acedeu e lá fui ter com ele, com a minha roupa de trabalho, todo sujo de lama. Passados 10 minutos de agradável conversa, já tínhamos tudo acertado para possibilitar os apoios que se vieram a verificar!

Para além da cedência dos espaços, ainda procederam à limpeza da arena, ofereceram as pêras que distribuímos aos atletas, cederam a electricidade, disponibilizaram uma das máquinas para a lavagem de BTT's e respectiva água. Permitiram que nos sentíssemos "donos" da Quinta por dois dias!


Também o Sr. Henrique Pratas, Presidente da Junta de Alguber é merecedor do nosso reconhecimento e gratidão. Tínhamos planeado que os banhos no segundo e terceiros dias seriam na Associação de Sobrena, mas à última hora verificou-se que tal não seria possível, pelo foi necessário encontrar uma alternativa. Pela proximidade lembrei-me de Alguber , pelo que tratei de conseguir o contacto do Presidente da Junta. 
Falei com ele telefonicamente pela primeira vez no dia 21 de Abril e desde logo manifestou total abertura e empenho para nos ajudar. Na Sexta-feira fomos lá falar com ele pessoalmente e ver as instalações, tendo nos recebido com uma simpatia e disponibilidade insuperável. Tudo ficou coordenado para que os banhos fossem na Associação de Alguber, quer no sábado quer no Domingo, sem qualquer custo. Pelas condições existentes na Associação (existência dum posto médico), decidimos realizar também lá o controlo anti-doping.

Para além de toda a disponibilidade para nos ajudar, acabou por ser presença assídua no nosso evento, assim como nas cerimónias de entregas de prémios, o que muito nos honrou!

Finalmente no Domingo fomos abençoados com um dia de sol, o que permitiu que a lavagem de BTT´s incluísse uma secção de banhos cooperativos, como esta foto atesta.

Na prova de Média, enquanto estava junto ao ponto 200, fui surpreendido pela chegada dum rebanho de ovelhas que pretendia passar pelo caminho do sprint final. Fui logo "negociar" com o pastor, que imediatamente acedeu a ir pastorear o seu rebanho para outro local, deixando aquele pasto livre para os nossos atletas. O meu obrigado também ao nosso colega pastor!

Para terminar, suponho que muitos dos participantes do POM de Ori-BTT ainda devem ter pesadelos, com a visão desta linha de alta-tensão (na verdade é de média...), que é uma autentica Montanha-Russa! 
Só aqui entre nós... se andaram por ali num "sobe e desce e sobe", sugiro que olhem com atenção para o mapa, pois decerto que irão encontrar opções que vos permitiriam contornar grande parte das subidas. Pois é... pode demorar um pouco, mas vocês vão acabar por aprender. Mas será é seguramente uma aprendizagem paga com suor!

POM-OriBTT 2011 - Mensagem final da Senhora Directora

Por: Maria Amador

Já acabou!! Ufa..!!! Nunca mais me meto noutra! (Ah… esperem… tenho já mais dois Campeonatos Nacionais daqui a dois meses… ai!)

Terminou o primeiro Portugal O’Meeting de Orientação em BTT… bem na verdade ainda faltam mais uns pormenores, para colocar um derradeiro ponto final em mais um desafio organizado com sucesso pelo ATV!

A principal avaliação do evento é feita pelo próprios participantes, e que bom é ouvir as pessoas nos darem os parabéns, e dizerem que adoraram andar “perdidas”, que gostaram muito, que os mapas são muito desafiantes. É muito gratificante sentir que conseguimos alcançar o nosso objectivo, fazer com que seja divertido praticar ORIENTAÇÃO e ver um sorriso de satisfação, nas caras sarapintadas de lama.

A equipa organizativa contou com cerca de 30 pessoas, sendo alguns praticantes regulares e outros voluntários do ATV. Foi um esforço muito grande de todos para conseguir colocar este evento em andamento, principalmente por termos que conciliar todo este reboliço com data festiva da Páscoa. Esta também foi uma grande limitação para todos os participantes, o que condicionou a participação de muitos, tendo alguns feito um vaivém de muitos km’s, para conseguir estar junto da família e junto da outra paixão que é a Orientação. Outros tiveram que fazer alguns acordos familiares, que decerto implicam contrapartidas dispendiosas… Mas julgo que conseguimos fazer com que valesse a pena fazerem este “sacrifício”, de estar junto à família da Orientação.

O ATV tem o cuidado de encontrar locais que sejam desafiantes para a prática da Orientação e conseguimos encontrar esta área com um emaranhado de caminhos, conciliados com um relevo desafiante, que provocam grandes dores cabeça (das boas) aos Orientistas, para conseguirem encontrar aquela coisinha branca e laranja que é tão desejada. 

Em termos de balanço financeiro para o ATV esta prova será um seguramente um grande prejuízo, pois nesta altura os apoios financeiros são nulos e ainda por cima a participação de atletas foi reduzida. A FPO e todos nós temos que reflectir em conjunto, sobre qual será a forma de ultrapassar este momento difícil para a Orientação nacional. 

Por fim, queria agradecer a todos os voluntários e amigos da organização, ao supervisor Fernando Crisóstomo pela paciência de nos aturar, aos Orientistas que estiveram presentes, pois sem vocês não tínhamos prova, e por fim a todas as entidades que nos apoiaram: C.M. Torres Vedras, C.M do Cadaval, Junta de Freguesia do Outeiro da Cabeça, Junta de Freguesia da Sobrena, Junta de Freguesia de Alguber, Associação para o desenvolvimento de Olho Polido, Associação de Socorros do Outeiro da Cabeça, BV do Cadaval, Frutus, Bretesbike, Fundição de Dois portos, Feel, Ponto D’Ori, RS Eventos e a todos os proprietários dos terrenos, com particular destaque para os donos da Quinta de Santo António, onde decorreram as provas de Sprint, Média e Estafetas. 

Queria ainda deixar uma palavra de esperança, pois constatámos que ainda é possível encontrar pessoas excepcionais, que têm todo o gosto de cooperar com pessoas que mal conhecem. É mesmo  muito gratificante e saboroso sentir estes apoios. 

Quase que me esquecia de destacar em particular a pessoa que torna as nossas provas excepcionais, o Luís Sérgio, o nosso cartógrafo, traçador de percursos, organizador, etc.. 

Muito obrigado a todos por esta Páscoa inesquecível, pelas emoções e satisfação que me proporcionaram.

domingo, 24 de abril de 2011

O melhor POM de Ori-BTT de SEMPRE!


Antes de hibernar, seguramente por longas horas, com a ajuda duma caipirinha ainda consegui ter forças para vir aqui partilhar convosco o meu orgulho pelo excelente grupo de voluntários de ATV, que permitiram que este primeiro POM de Ori-BTT tenha sido indubitavelmente um grande sucesso!

O meu reconhecido obrigado a todos eles! É um orgulho pertencer a este CLUBE!
Alguns faltaram à foto por estarem ainda a trabalhar...
Podem ver toda a informação da prova em http://www.atv.pt/actividades/evento/5/490.
Resultados já disponíveis e em breve muitas fotos.

Aproveito para partilhar com vocês algumas fotos de dois dos nossos campeões:
Susana Pontes - CPOC - Campeã Nacional de Sprint
Daniel Marques - COC - Campeão Nacional de Estafetas (com Paulo Alípio e Joel Morgado)

terça-feira, 5 de abril de 2011

1º Portugal O'Meeting OriBTT Páscoa

Por: Eduardo Oliveira - ATV

Tal como já acontece há muitos anos na OriPedestre com a disputa do Portugal O'Meeting em 4 dias no Carnaval, a FPO decidiu lançar este ano pela primeira vez o Portugal O'Meeting em OriBTT com 4 provas a disputar na Páscoa.

Vai ser uma barriga cheia de orientação em BTT, com a disputa em 3 dias das seguintes provas:
- Campeonato Nacional de Distância Longa
- Campeonato Nacional de Sprint
- Campeonato Nacional de Distância Média
- Campeonato Nacional de Estafetas

Esta 1ª edição será organizada pelo ATV (em 2012 será em Montalegre usando os mapas do WOC 2010) e ocorrerá na zona de Torres Vedras e Cadaval, num local central em termos do país, e com 80% de mapas novos numa área bastante desafiante e do agrado dos participantes.

Podem ver toda a informação da prova em http://www.atv.pt/actividades/evento/5/490

Para abrir o apetite vejam nas Informações Técnicas o excerto do mapa para a prova de Sprint. Já fiz o teste da prova e garanto que é uma das melhores provas de Sprint em OriBTT já feitas em Portugal em floresta. A não perder!

Esta prova vai ser disputada no fim de semana da Páscoa, o que é feito pela primeira vez em Portugal. Em Espanha já é tradicional fazer os Campeonatos Nacionais pedestres nesta altura e com muita adesão, vamos a ver se conseguimos ter o mesmo sucesso em Portugal, com a participação de todos os aficionados do OriBTT.

Na 6ª feira teremos a prova de Distância Longa a abrir o POM OriBTT. No sábado temos a prova de Sprint e de Média aproveitando da melhor forma o dia, com 2 em 1. Finalmente no domingo teremos a espectacular prova de Estafetas, inscrevam as vossas equipas nesta prova que é das mais entusiasmantes pela forma como se desenrola.

Contamos com todos para se virem divertir e competir no 1º POM de OriBTT, na Páscoa em Torres Vedras / Cadaval.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O-RINGEN 1995

Penso que alguns de vocês terão estranhado este interregno de publicação de artigos neste Blog. 
A explicação é simples: estava a fazer uma birra! 

Parece que vocês me habituaram mal no inicio, quando comentavam com frequência os meus devaneios. Ultimamente têm sido muitas as minhas desilusões ao entrar no Blog, na esperança de ter alguns comentários, o que confesso arrefece muito o meu ímpeto escritista (estou seriamente a pensar virar-me para o Facebook, onde uma simples bufa, é tema para comentários infindáveis).

A minha ânsia de reacção da vossa parte leva-me a recorrer a uma foto com vários nus integrais , captada no O-Ringen (lamentavelmente apenas tenho dos chuveiros masculinos). Pode ser que esta consiga vos arrancar alguns comentários. 

Para além disso é seguramente mais um motivo para encorajar a participação no O-Ringen, que é de certa forma a "peregrinação a Meca" de qualquer praticante de Orientação. Já participei por duas vezes e foram de facto eventos memoráveis.

Nestas questões dos chuveiros comuns, lembro-me que num dos Campeonatos Mundiais que participei, os chuveiros das mulheres ficavam separados dos chuveiros dos homens apenas por um tecido, que apesar de opaco, permitia ver as sombras das mulheres projectadas nele. 
Nunca vi atletas masculinos a demorar tanto tempo para se vestirem...

quarta-feira, 23 de março de 2011

TPL - Taça dos países Latinos


Em 1994 participei no Congresso da IOF em Varna - Bulgária, em representação da FPO. Num dos dias, em conversa com o representante da federação Romena, foi por ele sugerido que seria interessante criar uma competição entre os países Latinos. A ideia pareceu-me boa e rapidamente juntámos os representantes da França, Itália (Livio) e Espanha (Eusébio Garcia), para discutir essa possibilidade. Foi uma reunião complicada em termos linguísticos, já que o romeno, para além da sua língua, só falava francês, e os restantes para além das línguas respectivas só tinham um fraco domínio do inglês. Modéstia à parte acabei por assumir um papel relevante de multi-tradução, já que sou fluente em inglês e espanhol, domino razoavelmente o francês e ainda dou uns toques no italiano (típico desenrascanço português). Posteriormente a Bélgica também entrou para a TPL, e a competição foi também aberta aos países Latino-americanos.

Apesar da cacofonia linguística, a reunião acabou por ser muito produtiva, e para além de estruturarmos o modelo de competição, a constituição das equipas, ainda conseguimos alinhavar o calendário das 5 primeiras edições (definimos a sequência de países organizadores). Por uma questão lógica definimos o Francês como língua oficial, mas francamente reconheço que a língua dos francos acabou não resultar como língua franca, e na prática o inglês acaba por assumir naturalmente esse papel.

Nessa altura não tinha completa consciência, que tínhamos acabado de criar um evento  que me reservava alguns momentos embaraçosos, que começaram logo em 1995, quando desafiados a entreter os participantes num sarau, decidimos cantar em plenos pulmões o "Às 4 da madrugada um passarinho cantou...", conforme a foto seguinte documenta (felizmente sem som).


Para não quebrar a tradição, em 1996 mantivemos o nível na participação em Itália, como a foto seguinte ilustra.


Suponho que a maior surpresa para muitos de vocês, será constatarem que o Carlos Lisboa (alguns de vocês nem o devem conhecer, mas já usaram muitos mapas impressos por ele - RGB Imagem), já foi atleta e integrou a Selecção Nacional. Na verdade fê-lo por duas vezes, já que também participou no Camp. Mundial de Juniores na Roménia. Aqui lembro-me que num dos dias estava na Arena e já a prova estava praticamente terminada, quando me apercebo dum burburinho atrás de mim. Voltei-me e vi o Carlos Lisboa a fazer um "slalom" na minha direcção, fintando os organizadores, para se vir queixar a mim que "os maus" já tinham retirado alguns pontos, não lhe permitindo terminar a prova.

Mas o pior ainda estava para vir... em 1998, quando a prova se realizou em Évora, elevámos a fasquia para níveis que são difíceis de superar.


Por esta altura estava já instituída a tradição das equipas apresentarem um espectáculo artístico para oferecer às restantes selecções. Não tendo preparado nada com antecedência, fomos confrontados com a necessidade de encontrar alguma solução de recurso. Penso que rapidamente concluímos que não éramos possuidores de nenhuns dotes artísticos relevantes, pelo que tivemos que apostar na nossa inquestionável mais-valia: a beleza! 

Assim, decidimos apresentar uma passagem de modelos, em que eu assumi o papel de apresentador multilingue, que ia apresentando os vários modelos a desfile, que como podem verificar em nada ficam atrás duma ModaLisboa!


Há fotos de alguns modelos bem mais atrevidos (lembro-me de na altura eu próprio ter sido surpreendido com eles), mas que tive o bom senso de não os usar aqui (embora confesse que foi difícil resistir...).
Só a Emilia Silveira escapou a todo este "deboche", já que alegou uma indisposição para não desfilar.

Para não dizerem que é só desgraças refiro mais duas TPL.

Em 1999 a TPL decorreu em Espanha na Corunha, e o meu amigo Sousa não me iria perdoar se não fizesse aqui eco da sua brilhante prestação, ao se sagrar Campeão Latino e logo à frente do emergente Thierry Gueorgiou.


Em 2003 a TPL decorreu na França e embora não tenha estado presente, fui representado pela minha Maria, que fez na altura esta bela montagem de fotos.

terça-feira, 15 de março de 2011

MIA 2011 - The flying Madeirense!


Houve quem questionasse o interesse em ter o 200 imediatamente antes do riacho, no Meeting de Arraiolos. As fotografias que isso proporcionou penso que justificam essa opção, embora fosse possível ter o ponto no mesmo local, mas permitir que os áqua-fóbicos pudessem procurar uma passagem a seco legalmente (bastava abrir um dos lados do inicio do funil e todos ficariam contentes).

No entanto alguns atletas demonstraram que era possível passar o riacho sem se molhar, como a sequência de fotos do Sidónio Freitas prova. Claro que isso implicou tomar balanço e o tempo do sprint final acabou por não ser famoso (28 seg. o mais rápido fez 17!), pelo que fica claro que não foi uma opção eficiente... embora espectacular!

Claro que houve quem usasse outras técnicas, como foi o caso do Paulo Santos - CIMO. Mais uma vez a eficácia foi sacrificada em prol da espectacularidade...

sábado, 12 de março de 2011

Frases e pensamentos recorrentes na Orientação!

Para completar este artigo vou precisar da vossa ajuda!
Decerto que todos vocês já escutaram comentários interessantes e devem ter "um amigo" que já pensou umas bacoradas, que podem partilhar aqui.
Enviem comentários, que eu vou acrescentando no texto.

Antes da prova:
“Tive um problema no joelho e não tenho treinado nada!”
“Hoje vou devagar e aproveitar para fazer um treino!”
“Boa sorte!”
"Vai com calma, que se não pastares ganhas isto hoje" (P. Franco)
"Isto hoje não é para mim, é só correr" (P. Franco)
"Queres que espere por ti no triângulo?" (Nelson)
"..."

Durante a prova:
"Fonix, ainda nem cheguei ao primeiro ponto e já vou a passo!"
"Treta de cartógrafo... não percebe nada disto!"
“Viste o 103?”
“Vai, força!”
"Porra, até a bússola está contra mim... eu sei que não é para aí!"
“0 64 está ali atrás!”
“Sabes onde estamos?”
“Deixa-me ver onde é este ponto!"
”&£#@$%!!!"
"Este gajo não desgruda!" (P. Franco)
Atrás deste não me aguento, daqui a nada estou a rebentar!" (P. Franco)
"Até parecia que eu estava parado (depois de um nórdico passar por mim a todo o vapor)" (Nelson)
"..."

Depois da prova:
“Ia a fazer uma prova espectacular, mas perdi imenso tempo no ponto 10!”
“Se não tivesse perdido aquele tempo no ponto 5, tinha ficado em primeiro!”
“Devo ter passado mesmo ao lado do ponto, mas não o vi!”
“Batia tudo certo, o caminho, a vedação… e afinal tinha saído na direcção oposta.”
“A partir do ponto 11 comecei a ter cãibras e arrastei-me até ao fim!”
"Se não fosse os 2 min que perdi para contornar a manada de vacas, ficava em primeiro!" (P. Franco)
"Se hoje não estivesse a chover, se o sol não brilhasse tanto, se não fizesse um calor dos diabos, se não estivesse um frio de rachar, se a minha bicicleta tivesse motor, se a lama não fosse tão espessa e se as pedras não escorregassem tanto a subir e a descer... e se a Luísa, a Fernanda e a Paula não tivessem vindo, eu tinha ganho de certeza!" (Margarida Novo)
"Que #$&#$&# de mapa é este??" (Nelson)
"..."

Puxando a brasa à minha palhacinha!

Meeting de Arraiolos 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

POM - Orgulho de ser português!

Aproveito estas sequências de fotos para prestar a minha homenagem ao GD4Caminhos, por mais esta excelente organização!

 
José Grada, 71 anos de fazer inveja a muito boa gente!

O José Grada foi o português mais idoso a participar no POM e classificou-se em 16º lugar na geral (H70). É uma presença assídua nas nossas provas, patenteando uma jovialidade que a todos cativa.
Não só pela idade, mas também pela sua postura, ele é de facto um exemplo na Orientação e por isso merecedor desta distinção!

 Tiago Aires, 13º classificado na Super Elite.

 Diogo Miguel, 20º classificado na Super Elite.

 "Ao passar a ribeirinha, pus o pé..."

CINCO DIAS PERDIDO NA SUÉCIA

Estou certo que muitos dos participantes no POM se identificam com algumas das angustias descritas pelo Manel de forma soberba, pelo que não resisti a recuperar agora este seu texto, apesar dele já ter uns aninhos.

Por Manuel Dias

O- Ringen 97, Vasterbotten, 21 a 25 de Julho

Demorei 6h 51m 24s para fazer os “cinco dias da Suécia”. Quase metade desse tempo andei literalmente perdido, mas foi uma festa. A começar pela cerimónia de abertura, onde desfilei com a bandeira nacional. A Rosário e eu éramos os únicos portugueses presentes; ela transportou a placa com o nome do país.

A dificuldade dos mapas escandinavos (do terreno, quero eu dizer) já se me apresentara na Finlândia, onde participei nas duas primeiras provas do FIN 5, mas foi na Suécia que me apercebi da exacta dimensão da «tragédia».

Caminhos, quase nem vê-los e, quando existiam, eram passados na perpendicular. Dos 47 pontos que tive de marcar (não contando os últimos, a preceder o balizado para a meta), 28 foram pedras. «Que bom», pensam vocês. «Que quebra – cabeças!», garanto-vos eu. Porque os mapas estão cheios de pedras e o terreno ainda mais. E há pedras que são apenas pedras, e pedras que são falésias, e pedras que são montes de pedras, e pedras que não sei o que são. Dá para perceber? Ainda bem que não dá. O melhor é irem lá ver. Se possível, com a mesma disposição com que eu fui: «Vim de férias», estou aqui para me divertir”.

Da temporada nacional do ano passado, deixei registadas na minha agenda 13 provas com tempos e distâncias. Andamento médio: 8,52/Km. Na Suécia: 15,48/Km. Não tenho espaço para explicar, peço que acreditem: foi uma curte!

A edição deste ano foi a menos participada desde 1977. Éramos 11 mil. O record continua a pertencer a 1985, com 23 mil.

A preparação de cada O-Ringen dura cinco anos. A organização do ano 2002 foi eleita do decorrer da prova deste ano: Vastergotland, Karsborg. Ao longo desse quinquénio são, a diferentes níveis de envolvimento, requisitados os serviços de 3500 pessoas. Nos dias da prova, o «staff» é de 900.
Na hora da verdade é quase impossível algo correr mal. Os concorrentes estavam distribuídos por 108 categorias (escalões e subescalões), com seis locais de partida, todos os dia. Junto de cada partida, funcionava uma mesa para os cartões de controlo dos retardatários. Nunca vi ninguém dirigir-se lá. Toda a gente sai na sua hora, inclusive no último dia em que há partidas cada 15 segundos.

A distância da concentração (chegada) ao local da partida variou entre 550 e 4500 metros. Sinalização inequívoca, abastecimentos de água, sacos para recolha de lixo, vários WC. Aconteceu-me chegar à partida duas horas antes de sair. Que espectáculo! Os vários tipos de aquecimento, gente que se reencontra, exercícios, concentração, nervosismo (pouco), os equipamentos, a última consulta ao programa de 200 páginas pendurado no tronco de um pinheiro, senta, levanta, limpa os óculos, confirma a hora no peitoral, um que sorri, outro que está sério. No meio de tanta gente, descobri que o Dragan (o amigo Jugoslavo) sai quatro minutos antes de mim é uma fonte de alegria, «boa sorte!», «boa sorte!».

Mas o festival a sério é na chegada. Um Woodstock sem «inconveniências». Centenas e centenas de bandeiras. Cor, agitação, relva, merendas, banquinhos, esteiras, bebidas isotónicas, pés ligados, caneleiras a meia haste, de pé, sentados, gritando junto ao funil, velhos, novos, bonitas, outras ainda mais bonitas. E , no meio desta babel, poder procurar uma sombra, deixar em fundo o bruá geral e mergulhar nos «Cuadernos da Patagónia» que o Hector trouxe da Argentina e fez o favor de me emprestar esta manhã.

Assistir à chegada do mítico Karl-Victor Ahokainen, com os seus 92 anos, e do campeoníssimo Jorgem Martensson, que fez a proeza de, ao cabo de cinco dias, levar apenas uma vantagem de 13 segundos sobre Lars Holmqvist.

- Alguém conhece outro desporto assim?

- Eu não conheço! Ao longo de cinco dias cumpriram mais de 37Km, correram sem se ver, escolheram os itinerários que lhes apeteceu, andaram o que as pernas e a cabeça deixaram e, no final, 13 segundos! Eh pá, eu quero andar nisto até aos 92 anos!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estágio de Natal 199?


Estes foram os 30 participantes no primeiro Estágio de Natal, que decorreu em São Pedro de Moel, tendo o alojamento sido na Colónia de Férias e as refeições na Residencial Miramar. Os treinos técnicos decorreram nos mapas de S. Pedro de Moel e de Picassinos.

Infelizmente já não estou certo sobre quem foram os outros monitores, mas penso que um deles era o Pedro Liberto (onde raio pára ele??).

Não me recordo de muitos pormenores sobre a forma como decorreu o Estágio, mas lembro-me duma Ana, duplamente Nova, que antes ainda do primeiro treino desatou a chorar por ter medo de ir sozinha. A solução encontrada foi ela fazer os percursos com o irmão (mais velho).

Os jovens eram oriundos de vários Clubes e muitos deles ainda continuam a divertir-se nas nossas florestas. Eu ainda consigo identificar a maioria deles, mas vou optar por deixar esse desafio para vocês. Quem está aqui que se acuse!

Ah... já me esquecia... também houve um concurso de construções na areia e estas mereceram fotografia!


Como diria o Dinis Costa "gatinhava a década de 90"... eu estou a investigar em que ano foi.... e depois completo!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Um encontro inusitado


Por: Dinis Costa

Gatinhava a década de oitenta, num dos corredores, labirínticos de linearidade, do Convento de Mafra (EPI) alguém me chama com força hierárquica. Era o Oficial PP, chefe da Secção de Educação Física.
- Estás nomeado para a equipa da Escola de Corrida e Orientação que vai haver depois de amanhã. Vou mandar passar a guia de marcha.
- Mas, dá licença, eu nunca fiz isso… Orientação.
- Mas já fizeste corrida e corres muito que eu sei, já tens 50% e outros nem isso fazem. Não venhas com desculpas. Estás nomeado. Olha que é depois de depois de amanhã e temos que ir lá dormir.

Nessa noite dormi pouco e mal, não se ouviram as asneiras mas pensei-as, antes de dormir ainda fui rever a forma como se tiravam coordenadas (que era o que fazíamos nas topográficas).
No dia seguinte mostraram-me uma Carta Militar com bolas (círculos) e os pontos (balizas) estavam no meio tinha-se que ir lá furar o cartão no quadrado certo. E, era só isso e depois correr, correr muito para chegar primeiro (dizia o Oficial PP).
Dito assim até parecia fácil.
Pelas quatro e meia alvorada, pequeno-almoço às cinco e meia no Regimento de Comandos, Unidade organizadora. Saímos às seis, ainda de noite, sem saber para onde nos levavam. À época havia sempre grande secretismo. A coluna pôs-se em marcha, apercebi-me que passámos a ponte 25 de Abril.
Fui sacudido e a minha cervical rangeu, abri os olhos, tínhamos saída da estrada, o sol já raiava na linha do horizonte. Passados alguns solavancos desconfortáveis a coluna imobilizou-se mas as portas não se abriram.
Vem a explicação, quando tivermos ordem vamos sair para a nossa tenda e depois de entrar não podemos sair, por isso muita atenção, não deixem ficar nada que necessitem. Saímos. Caminhámos alguns metros e vimos o bivaque (hoje chamam-lhe arena com alguma segurança porque já não existe cabeça de casal e se não há cabeça…) e lá estavam as tendas identificadas e alinhadas por unidades do Governo Militar de Lisboa (que já não existe) mulheres ainda não existiam.
 As latrinas eram a uns 50 metros e no respeito da direcção dos ventos dominantes. Uma vala com cerca de um metro de profundidade e dois de comprimento. Havia uma prancha de madeira ao través que estava dentada de meia-lua ao centro, do lado das arrecuas.
Um rectângulo vedado com panos de tenda, com sobreposição do lado da entrada, dava protecção das vistas
O fio de sisal, que já fora usado nos ilhós dos panos de tenda para lhe dar forma, passava pelo interior do rolo do papel de fax e ia abraçar um ramo que o mantinha suspenso, ao alcance da mão tomada que fosse a posição.
Necessidades de carácter sólido implicavam comportamento de felino doméstico com princípios de higiene, cobrir o que se fez recorrendo a uma pá que ali estava espetada num monte de terra fresca.
Se perguntarem o porque desta passagem? Eu respondo. É que eu fui lá, pelo menos duas vezes, na altura chamava-se nervoso miudinho ao stress. Mas, apesar de tudo, onde fiz mais foi durante o percurso.
Tudo balizado na área de partidas e aquecimento, balizamento guarnecido por meios humanos imbuídos de missão e autoridade cega a súplicas. Mesmo que fosse de forma tentada dava desclassificação e não se falava mais nisso. “Ninguém mijava fora do penico”, neste caso fora da latrina.
Havia um corredor que dava por quatro dos do convento, ou mais, - onde um jipe circulava e pode circular se necessário for e eu não deveria ter circulado. Corredor suficientemente largo que não permitia a comunicação - até a gestual ficava nublada.
Tudo que fosse para a zona chegadas já não regressava.
A transferência de qualquer equipamento tinha que ser solicitada. Se fosse autorizado, vinha um portador, da organização, que vistoriava. Havia sempre um controlo apertado até partir o último elemento. Só aos delegados era permitida alguma liberdade de movimentos, mas se fossem para junto dos atletas que chegavam já não podiam comunicar com os que ainda não tinham partido.
Fui chamado à boca pequena. Lá vinha mais uma ordem, e aquelas eram para cumprir sem hesitações.
- Estás a ver aquele e aquele ali? São os melhores!
Pelos comentários percebi que um deles era o campeão, na altura e pertencia aos Comandos.
- Vais partir no princípio, vais devagar e como corres bem... quando os vires zás que nem uma lapa. Percebes-te!
Ouviu-se: dentro de dez minutos vão ter inicio as partidas. Ouve-se o meu número e sobrenome no megafone, seguido da palavra prepara.
Entrei no funil pela parte mais estreita até ao gesto de alto. Parei.
- Pode seguir, são três minutos até à partida, sempre pelo carreiro.
A vegetação e o ondulado do terreno esconderam-me de imediato, lembro-me que o terreno era saibroso e a vegetação barrava-me o perscrutar distante.
Não tinha qualquer receio da floresta, cresci no seu ventre, o problema era como é que eu vou dar com os pontos a correr?
Deram-me a carta em silêncio e disseram:
- Pode partir.
Parti em corrida simulada e parei logo que deixei de os ver. Pus-me a mirar a carta enquanto matutava. Olhei para o primeiro ponto e comecei a caminhar na sua direcção. Havia um carreiro e mais à frente um aceiro que não estavam na carta.
Passou um atleta em saltos de lebre, mato fora, perdi-o de vista e de som.
Tudo que fosse recente não estava na carta e a vegetação também não. Relevo era reduzido para um transmontano. As curvas de nível estavam na carta, mas no terreno não eram vistas. De curvas eu só discernia sobre as dos caminhos o que de pouco me servia, os caminhos eram poucos. Havia e há outras curvas, conhecidas pelo instinto mas essas não eram para ali chamadas e se fossem desorientavam-me o raciocínio.
Tacteava o terreno com o olhar, em postura de Suricate de vigia, em busca de um vislumbre, de cor laranja e branco, e lá estava ele no final de um carreteiro bem aconchegado à vegetação para não se constipar e protegido de olhares indiscretos não fossem os atletas encontra-lo.
Havia que continuar, sempre pelos caminhos, nem que isso implicasse ir ao Samouco e voltar,
O próximo era uma pequena elevação no meio da floresta, pus-me na curva do caminho mais próxima e fiz, tracei uma mirada e lá vou eu, andei a distância julgada por conveniente, trepei a elevação, convicto. Pisei o mato todo e. nada! Aqui caíram-me as certezas da horta.
Atarantado olhei para outras elevações próximas e decidi subi-las e desce-las o mais depressa possível, usando a técnica do Caracol tonto e do Quadrado paralelepípedo.
Exausto parei no cocuruto da última, coçando a cabeça em silêncio, como quem caça à espera. Ouço barulho de ramos a partir e olhei, vi uma camisola que corria, jogando à cabra cega a cada raio de luz, sem pernas no meio da vegetação, que era mais que rasteira. Seguia com o olhar, baixando a silhueta, fez-se corpo e depois pernas e subiu a elevação mais distante, que ficava à minha direita, fez uma vénia quase imperfeita, penso que por respeito à baliza, e curvado foi-se sem delongas numa escorrega de fuga.
Reconheci-o, “era um daqueles” dos melhores. Olhei para ver a direcção e só já vi um recorte de nuca sobre silhueta que se esvaneceu rápido.
Levantei-me e fui a correr sempre a olhar para a pequena elevação não fosse ela sair do lugar numa distracção minha. Estava ali a baliza a rir-se de mim e a dizer o que eu não entendia.

Pensei: estive tão perto mas o caracol enrola de acordo com a sua natureza. O Raio do gastrópode terrestre, seu esqueleto e minha metáfora.
Desilusão, decepção, desfalecimento, descrença dúvida tudo eu senti naquele momento. Porrrrra para isto! Grande carvalho! Plantei vários naquela floresta onde não vi nenhum.
As calças começavam a ficar sem pernas e as pernas sem calças, e o corpo guardava as marcas das chicotadas recebidas da vegetação que se batia, sem arredar pé, na defesa do seu território.

Desistir só por cima do meu cadáver por isso havia que continuar sem saber para onde. Lembrei-me da direcção que o outro “campeão” tomou…


Nota: O primeiro passo da orientação em Portugal foi em 1977 quando três oficiais das FA (um de cada ramo) participaram no CISM (Camp. do Mundo Militar) como observadores.