Histórias da Orientação nacional para memória futura. Retalhos da vida de um cartógrafo de fim-de-semana e praticante de Orientação. Actualidade, jogos e curiosidades.
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quinta-feira, 14 de julho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Joaquim Sousa - quase 20 anos a ganhar Estafetas!
Após os brilhantes resultados do Sousa no passado fim-de-semana e em particular a sua vitória na prova de Estafetas, não pude deixar de recordar que ele também ganhou o primeiro Campeonato Nacional de Estafetas, que se realizou em Mafra, na longínqua época de 93/94. Nessa altura representava a Associação de Comandos e fez equipa com dois ilustres desconhecidos: Paulo Alípio e Luís Sérgio...
Mas para contar esta história como deve ser, tenho que recuar mais um pouco no tempo, até ao ano de 1991 quando me cruzei pela primeira vez com o recruta Sousa, numa altura em que era instrutor do Curso de Comandos. Digo que me cruzei com ele e certamente aconteceu, mas disso não guardo memória, pois ele era apenas mais um de 300 vermes que por ali rastejavam.
Só uns meses mais tarde, já ele era 2º Cabo é que o Sousa passou de facto a existir para mim, quando nos cruzamos (neste caso seria mais correcto dizer quando nos chocámos) num treino de Orientação. Estava a aproximar-se o Campeonato interno de Orientação e o comandante da CC124 (Cap. Bartolomeu) pediu-me para preparar um treino com carta militar, em Belas.
O Sousa foi um dos participantes no treino e no final apercebi-me de algum burburinho (que como já repararam sempre há à sua volta), relativo a um ponto que teria desaparecido. Lembro-me que nessa altura fui verificar o cartão do Sousa e percebi que um dos picotados não tinha sido feito com o respectivo picotador (aqui há alguma divergência nas nossas versões, já que ele afirma que foi ele que me informou disso. Ora como todos sabemos a história é escrita pelos mais poderosos, logo como eu era Oficial e ele apenas Cabo, prevalece a minha versão).
Seja como for, numa coisa estamos os dois de acordo: como não encontrou o ponto, ele resolveu a situação "copiando" o picotado de outro participante (ele diz que desmontou um picotador e usou um dos picos), mas quem já controlou picotados sabe que não é possível replicar dessa forma o picotado, já que sem o buraquinho por baixo os seus bordos ficam irregulares.
À custa dessa atitude ele acabou por ficar fora da equipa da Companhia dele, atrasando assim o inicio da sua brilhante carreira na Orientação. Algum tempo depois disso acabou por integrar a equipa do Regimento de Comandos da qual eu era treinador (também foi aí que o Paulo Alípio se iniciou). Na sequência desses treinos, ele ainda hoje tem a delicadeza de dizer que eu lhe ensinei tudo o que sabe, mas claro que isso é um exagero da parte dele, já que por exemplo eu nunca lhe ensinei qualquer asneira!!!
Seguiram-se inúmeros sucessos nas provas militares e como já referido a vitória no CN. de Estafetas de 93/94. Posteriormente voltámos a ganhar de novo as Estafetas em 96/97, na Lagoa de Óbidos.
domingo, 1 de maio de 2011
Comandos - fui por engano, fiquei por gosto
Já por várias vezes fiz aqui referência à minha passagem pelos Comandos. Como é impossível ignorar 8 anos da minha vida, e também porque sem essa experiencia estaria eventualmente a vender ferragens ou a plantar batatas, em vez de estar a fazer mapas, vou contar rapidamente como lá fui parar.
Decerto que os mais atentos de vocês já se interrogaram como é que um saloio, doce e sensível como eu, foi parar aos Comandos (ou visto por outro prisma, como é que um Comando pode ser assim doce…). Pois bem a resposta é simples por acaso e por engano.
Como todos os Mancebos da minha geração quando fiz 18 anos, tive que ir à Inspecção, para avaliarem se estava apto para o serviço militar, que na altura era obrigatório. Assim, lá recebi a minha primeira guia-de-marcha, que dava direito a um bilhete de comboio, para me apresentar em Coimbra. Nessa altura a Inspecção durava dois dias, que no meu caso foi uma autêntica aventura, já que foi a minha primeira noite sozinho fora de casa (eu referi que era saloio...).
Durante esses dois dias fui sujeito a vários exames médicos e realizei diversos testes psico-técnicos, nos quais me apliquei a fundo, em mais um reflexo da minha ingenuidade saloia. No final dos exames fui chamado à presença dum capitão, que com um ar cândido me felicitou pelos resultados dos meus testes e me disse que tinha que escolher uma das três tropas especiais (Pára-quedistas, Fuzileiros e Comandos). Aqui está a parte do engano, já que só iam voluntários para as tropas especiais, logo eu PODIA escolher uma delas. Confrontado com essa decisão que nunca me tinha passado pela cabeça, rapidamente exclui os Fuzileiros já que a minha relação com a água é complicada. Sobraram os Páras e os Comandos. A ideia de saltar dum avião ainda hoje me assusta, pelo que me decidi pelos Comandos.
Nessa altura os Comandos estavam "na berra" por terem morrido dois instruendos, pelo que comecei logo a ter uma ideia de onde me tinha metido, quando saí da sala e disse que ía para os Comandos e todos me olharam como se eu fosse louco.
Nessa altura foi-nos atribuído um número (mecanográfico), que tínhamos que ter sempre na ponta da língua, e curiosamente passados mais de 20 anos ainda lá continua: 19976989. A inspecção terminou com a praxe habitual de retardarem a nossa saída do quartel até escassos minutos antes da partida do nosso comboio, fazendo com que tivéssemos que correr desalmadamente para chegar a tempo.
Uns meses depois fui intimado a comparecer no Regimento de Comandos na Amadora, para realizar testes adicionais para avaliar se tinha potencial Comando. Provando que não tinha aprendido nada em Coimbra, voltei a aplicar-me nos testes e fiquei apurado.
Assim, no dia 20 Fevereiro de 1989 apresentei-me no Reg. Comandos para iniciar o Curso. Como tinha o 12º ano, integrei o CGM (Contingente Geral de Milicianos) que formava os futuros Sargentos e Oficiais. Os primeiros tempos foram "tranquilos" enquanto decorreu a formação geral, consistindo basicamente na Ordem Unida (marchar), teoria militar e manuseamento da G3, referida na altura como a nossa namorada, da qual tínhamos que saber o número (esse já esqueci), conhecer as peças todas (ainda sou capaz de as enumerar todas e para o provar refiro apenas que a G3 tem um calibre 7.62 e tem o cano com 6 estrias no sentido dextrossum) e conseguir desmontá-la e montá-la de olhos vendados em menos de 1min. (mais tarde cheguei a ter 4 armas diferentes desmontadas, para montar de olhos vendados).
As coisas complicaram-se "um pouco" com o inicio do Curso de Comandos, sendo talvez o mais chocante verificar que o nosso Sargento (Tovim) mais porreiraço, que até contava anedotas, apareceu com o cabelo rapado e se transfigurou num ser abominável e com laivos de sadismo.
Encarei todas as dificuldades com resignação e rapidamente aprendi que o melhor era manter um "low profile", não me destacando nem pela positiva nem pela negativa. Mesmo assim o meu superior intelecto e capacidade física acabaram por se revelar e passadas umas semanas fui escolhido juntamente com mais 15 camaradas (sim porque colegas são as p....), para integrar o COM (Curso de Oficiais Milicianos), de onde sairíamos Aspirantes. O resto do Curso decorreu sem grandes sobressaltos (uma sucessão de "um minuto para formarem", "em cima de braços", "abaixo acima", "saltou saltou", "abriu fechou", "tá a rastejar até mim" e "não quero ver ninguém") e passados 4 meses do inicio dessa aventura, era um garboso Oficial do Exército Português, recebia o crachá e a boina Comando, e ficava a comandar um Grupo de 30 Comandos, durante mais um ano (o meu serviço militar obrigatório foram 16 meses).
Durante o Curso tive formação de Topografia, incidindo em particular no uso das Cartas Militares e no ano que se seguiu foram inúmeras as situações de uso delas, mas só em 1991 tive a minha primeira experiência de Orientação, que já aqui contei.
Após o SMO acabei por ficar 6 anos contratado, e durante esse periodo aconteceram muitas outras histórias relacionadas com a Orientação, mas ficam para outro dia pois esta crónica já vai longa...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Onde raio pára o Manuel Cardoso Ferreira?
Logo no primeiro artigo deste Blog fiz referencia a este "Dinossauro" da Orientação Portuguesa, referindo que foi ele a primeira pessoa a quem ouvi falar de Orientação e talvez que o facto de estar aqui hoje seja o resultado da forma apaixonado como o fez.
Mais do que uma busca de facto pelo Cardoso Ferreira, já que tenho mantido contactos regulares com ele, quero prestar aqui uma homenagem a este grande Senhor, que está a passar por problemas de saúde complicados, mas estou certo que com a sua determinação, irá seguramente vencer mais este desafio.
Conheci-o no longínquo ano de 1989, quando era Major e comandante do Batalhão de Instrução nos Comandos, em que eu estava incluído como instruendo. Já nessa altura era muito considerado no meio militar e recordo que tinha dois cognomes, cujas histórias desconheço: Capitão Granada e Máquina!
Foi também ele que incutiu em mim o gosto pelas actividades de cordas verticais, para as quais tinha já uma natural aptidão e não esqueço que me transmitiu o "segredo" de descer a corda de 10 metros invertido e sem mãos.
Embora fosse um Oficial Superior, sempre aplicou essa "superioridade" sob a forma de trato afável e próximo aos seus subordinados, granjeando estima e admiração de todos eles.
Posteriormente estivemos juntos no projecto da Secção de Orientação da Associação de Comandos, que teve como ponto alto a obtenção do terceiro lugar no Campeonato Nacional de Estafetas em 1995/96, na Atalaia, em que para além de nós os dois, fez parte da equipa o nosso amigo Joaquim Sousa. O Cardoso entrou na equipa por impedimento do Paulo Alípio, o que ainda tornou o resultado mais saboroso.
Mando aqui um grande abraço para o meu amigo Manuel, com votos de rápidas melhoras e renovo o desafio para se voltar a perder entre nós!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
A minha primeira prova de Orientação
Foi por desafio do Tenente Ferreira que me decidi a experimentar participar na minha primeira prova de Orientação. Foram os 2 dias de Lisboa que decorreram na Herdade da Apostiça - Sesimbra e em Monsanto – Lisboa.
Embora tivesse já bastante experiência com as cartas militares, foi nesta prova que tive o primeiro contacto com um mapa de Orientação. Por não estar familiarizado com as regras da modalidade, desconhecia a existência do “triângulo de partida” pelo que comecei à procura do primeiro ponto muito antes de lá chegar (de facto vi por ali uma baliza sem picotador mas nem lhe liguei muito).
Com mais ou menos dificuldade lá consegui terminar os percursos, e acabei por me classificar em 3º lugar num escalão Open (ainda lá tenho esse primeiro troféu... na mesma caixa que muitos outros ganhos posteriormente).
Passados alguns meses e uma mão cheia de provas estava a participar no Campeonato do Mundo na República Checa, mas essa já é outra história...
O meu primeiro contacto com a Orientação
A primeira vez que ouvi falar de Orientação foi em 1989, junto à Barragem Marechal Carmona em Idanha-a-Nova. Estava em pleno Curso de Comandos, quando recebemos o palestra do nosso comandante de batalhão o Major Cardoso Ferreira (um dos “dinossauros” da nossa modalidade e posteriormente atleta da Ass. de Comandos), que falou da modalidade duma forma apaixonada, que despertou a minha curiosidade.
No final da palestra apresentou com imensos elogios o Alferes Luís Sequeira (posteriormente atleta da ADFA), que seria o nosso instrutor de Navegação Terrestre, que por influencia do Major C. Ferreira, tinha muito das regras de Orientação, embora usando é claro as cartas militares.
Após uma explicação sobre a simbologia das cartas e fomos “lançados às feras”, tendo que realizar um percurso nocturno, que terminava no nosso local de acampamento. Não me recordo em pormenor do meu desempenho nesta actividade, mas sei que cheguei ao acampamento sem grandes atribulações.
No nosso grupo éramos cerca de 20 instruendos e com mais ou menos percalços todos chegámos ao fim a horas decentes, excepto o nosso camarada (sim porque colegas são as p....) Cláudio Tereso (agora atleta do ATV), que após um encontro com o que apelidou de “bicho bufador” (pela descrição concluímos que seria uma vaca), subiu a uma árvore tendo lá ficado até ao nascer do dia, quando acabou por ganhar coragem para descer e se dirigir ao acampamento.
Foi com surpresa que vários anos depois voltei a encontrar o Tereso nas Caldas da Rainha durante uma prova de Orientação urbana. Parece que conseguiu superar o trauma dos “bicho bufador”, já que desde aí é um praticante empedernido de Orientação.
Após este primeiro percurso outros se seguiram e eram muito do nosso agrado, pois permitiam-nos alguma folga da disciplina rígida a que estávamos sujeitos...
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