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Estou à espera das vossas histórias!!!

Agora os comentários mais recentes ficam visíveis aqui ao lado. Os comentários a crónicas antigas já não ficam "perdidos" e todos sabemos o que isso custa...

Now the top chronicles will also be available in English. Look for the tag ENGLISH to see all of them. Have fun!

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

CNA - com muitos pés e alguma cabeça


Foto gentilmente cedida pelo CPOC, embora sem seu conhecimento.
(esta crónica deu os primeiros passos no regresso de Vouzela, quando escutava Abas do vento dos Clã no rádio, e lancei o desafio à minha prole para encontrarem expressões com pé.
Todas as personagens desta crónica são ficcionadas e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência).
Depois de levar com os pés no pedido de participar no CNA em pé de igualdade, apesar de ter apresentado uma solução com pés e cabeça à FPO, pois resolveram interpretar os regulamentos ao pé da letra, fiquei de mãos e pés atados e tive que dar ao pé no escalão H40.
Assim, após o último bip dei o primeiro passo e parti de pé ligeiro, dando corda aos sapatos tentando entrar na prova com o pé direito. Com os pés bem assentes no chão e determinado a morrer de pé se fosse preciso, consegui fazer os melhores parciais nos primeiros 4 pontos, dando um passo de gigante para a vitória final.
No trajecto para o 5º ponto fiquei com os pés para a cova devido à subida, mas lá segui pé ante pé tentando não meter os pés pelas mãos. Piquei imediatamente atrás do Helder Ferreira, que seguramente tinha metido os pés na argola e que deve ter ficado com os cabelos em pé por me ter à perna, já que fugiu a sete pés pela estrada.
Lá meti o pé na tábua para o tentar acompanhar, mas sem sucesso pois a velocidade é o meu calcanhar de Aquiles. Já a transpirar dos pés à cabeça, não consegui chegar aos calcanhares do Helder, que após picar disparou de pé leve para o ponto 7. Quando percebi que ele ia contornar a área verde pela direita, fiquei de pé atrás e do pé para a mão encontrei uma opção melhor e avancei pela esquerda com pezinhos de lã , determinado a tirar aquela pedra do sapato.
Quando cheguei ao pé do ponto 7 não vi o Helder (que resolveu meter a pata na poça e não o picar), pelo que segui para o 8, tendo ficado com o coração aos pés, por não o encontrar logo. Sem arredar pé da área, estudei o mapa para encontrar forma de descalçar aquela bota. Lá encontrei o malandro e zarpei para o 9, que estava no sopé duma escarpa. Parti para o 10 com ganas de não voltar a meter os pés, mas cheguei a uma área amarela em que não batia a bota com a perdigota, já que estava coberta de ramos e pedras. Qual sempre-em-pé lá saltitei até ao ponto 10, a que se seguiu o 11 e o 12 sem história.
Na aproximação ao ponto 13 dei um passo atrás ao desviar-me demasiado para a direita, o que me custou preciosos segundos. A partir daí não voltei a pôr o pé em ramo verde e no sprint final fiquei prestes a bater a bota, ao ficar em pé de guerra com o Pedro Dias, tendo jurado a pés juntos que ele não haveria de me passar a perna. Cheguei à meta e atirei-me ao chão, incapaz de me pôr de pé e com a sensação de estar a ficar sem pé (ok, ok esta parte é pura ficção da ficção).
Qual cereja no topo do bolo, tive depois oportunidade de gozar com o Helder, que parecia ter acordado com os pés de fora e fez um pé-de-vento por ter sido desclassificado. Fruto das aberrantes regras do CN Absoluto acabei por ter uma entrada a pés juntos no Ranking, juntando mais 100 pontos ao meu parco pé-de-meia. Afinal talvez ainda não esteja na altura de arrumar as botas.
Determinado a não juntar pé de atleta ao meu pé chato, resolvi não correr riscos e optei por não tomar banho, mas claro que já adivinharam que o meu almoço foi pezinhos de coentrada.
Ufa, fiquei cansado de tantos pontapés na gramática!
PS: acho que só não consegui enfiar aqui o pé-de-cabra…

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O sexo dos anjos


É possível ver aqui no blog quais as palavras usadas nas buscas, que me trouxeram novos leitores (vão desde ratoeira, a magia negra, passando por mapa e desterro). Claro que me pus logo a pensar como poderia rentabilizar isto a meu favor e rapidamente conclui que teria toda a vantagem em incluir certas palavras-chave, que são seguramente as mais procuradas.
Assim surgiu "sexo" no título desta crónica, que complementado com "dos anjos" acaba por nem ser publicidade enganosa, pois esse tipo de temas é recorrente aqui (mesmo esta crónica versa sobre ele).

Bem sei que existem outras palavras com grande potencial neste campo, mas não é fácil meter aqui palavras do tipo mamas, seios, pénis, ou mesmo broche (a jóia),  sem ser brejeiro e vulgar, pelo que, por respeito aos meus leitores me irei abster de o fazer.

Se és um dos que veio aqui ao engano e conseguiste ler até aqui, espero que não fiques muito chateado com este meu estratagema e desafio-te a ler mais algumas crónicas. Já agora aproveito também para te convidar a vires experimentar a Orientação - O desporto da floresta!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Escrever para esquecer (parte I)

Após começar a escrever este Blog cheguei a uma conclusão deveras preocupante - a grande maioria das minhas estórias tem mais de 10 anos!

Só encontro duas possiveis explicações para este facto:

a) com a evolução da cartografia e da qualidade organizativa dos eventos, a Orientação está cada vez mais aborrecida e previsivel. Agora vamos para as provas, com uma relativa segurança que tudo irá decorrer como previsto e anunciado pelos organizadores. O improviso parece ter sido irradicado, o que diminui drásticamente o seu potencial estórico.

Mas como já referi existe uma outra possivel explicação, para a qual eu confesso estar mais inclinado:

b) posso ter esgotado a minha capacidade de memória e embora as estórias continuem a pulular ao meu redor, eu apenas não as consigo registar na memória.

Tanto a lógica com a lei das probabilidades pesam a favor desta segunda hipótese, pelo que acho que se impõe fazer uma limpeza do meu disco rigido, de forma a libertar espaço para novos registos.

Após algumas pesquisas descobri que estão a ser desenvolvidos estudos sobre formas de apagar memórias, mas eles estão ainda numa fase muito experimental e não quero correr o risco de me esquecer como se fazem os mapas...

Alguns de vocês estarão a sugerir o consumo de drogas ou alcool, mas não se esqueçam que tenho dois filhos, para os quais quero continuar a ser um exemplo positivo.

Após ponderada reflexão tomei uma decisão - vou escrever para esquecer!

Já aqui manifestei por diversas vezes desanimo pelo decrescente interesse que é manifestado por este Blog, que saiu claramente do estado de graça inicial (que saudades das dezenas de comentários babantes e dos mais de 100 leitores diários).

Confesso que ponderei seriamente parar, pois foi-me muito dificil o desmame das emoções desse período inicial (agora já consigo estar algumas horas sem vir aqui procurar um comentario inexistente), mas acabei por me decidir a continuar a escrever as estórias que me atravancam a memória, na esperança de assim as conseguir esquecer e libertar o correspondente espaço.

Fazendo um balanço preliminar, agora que já escrevi muitas delas, diria que não está a resultar pois continuo a experienciar um deserto estórico de actualidade. Mas eu sou pressistente (há quem prefira o termo teimoso) e sei que acabarei por conseguir desmemorizar-me.

sábado, 12 de março de 2011

Frases e pensamentos recorrentes na Orientação!

Para completar este artigo vou precisar da vossa ajuda!
Decerto que todos vocês já escutaram comentários interessantes e devem ter "um amigo" que já pensou umas bacoradas, que podem partilhar aqui.
Enviem comentários, que eu vou acrescentando no texto.

Antes da prova:
“Tive um problema no joelho e não tenho treinado nada!”
“Hoje vou devagar e aproveitar para fazer um treino!”
“Boa sorte!”
"Vai com calma, que se não pastares ganhas isto hoje" (P. Franco)
"Isto hoje não é para mim, é só correr" (P. Franco)
"Queres que espere por ti no triângulo?" (Nelson)
"..."

Durante a prova:
"Fonix, ainda nem cheguei ao primeiro ponto e já vou a passo!"
"Treta de cartógrafo... não percebe nada disto!"
“Viste o 103?”
“Vai, força!”
"Porra, até a bússola está contra mim... eu sei que não é para aí!"
“0 64 está ali atrás!”
“Sabes onde estamos?”
“Deixa-me ver onde é este ponto!"
&£#@$%!!!"
"Este gajo não desgruda!" (P. Franco)
Atrás deste não me aguento, daqui a nada estou a rebentar!" (P. Franco)
"Até parecia que eu estava parado (depois de um nórdico passar por mim a todo o vapor)" (Nelson)
"..."

Depois da prova:
“Ia a fazer uma prova espectacular, mas perdi imenso tempo no ponto 10!”
“Se não tivesse perdido aquele tempo no ponto 5, tinha ficado em primeiro!”
“Devo ter passado mesmo ao lado do ponto, mas não o vi!”
“Batia tudo certo, o caminho, a vedação… e afinal tinha saído na direcção oposta.”
“A partir do ponto 11 comecei a ter cãibras e arrastei-me até ao fim!”
"Se não fosse os 2 min que perdi para contornar a manada de vacas, ficava em primeiro!" (P. Franco)
"Se hoje não estivesse a chover, se o sol não brilhasse tanto, se não fizesse um calor dos diabos, se não estivesse um frio de rachar, se a minha bicicleta tivesse motor, se a lama não fosse tão espessa e se as pedras não escorregassem tanto a subir e a descer... e se a Luísa, a Fernanda e a Paula não tivessem vindo, eu tinha ganho de certeza!" (Margarida Novo)
"Que #$&#$&# de mapa é este??" (Nelson)
"..."

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Estudo aprofundado aos "colas"!

Já devem ter percebido que este termo "colas", pretende designar os mamíferos que optam por realizar os seus percursos seguindo outros atletas, em vez de navegar individualmente.

Sei que será uma surpresa, talvez até um choque para muitos de vocês, saberem que em tempos houve praticantes que abdicavam do prazer da Orientação, convertendo as provas em verdadeiros corta-matos, apenas com o objectivo de conseguir obter uma melhor classificação.
Prémios monetários?! Não, nada disso, os prémios eram como agora meramente simbólicos (e também muitas vezes de gosto duvidoso).

Estes seres sempre me intrigaram e fascinaram, pelo que numa tentativa de os compreender melhor, fiz um estudo aprofundado deste ramo humanóide, tendo concluído que se dividiam em três classes distintas:

Colas cooperátis
Estes espécimes eram normalmente encontrados aos pares, embora também tivesse havido alguns avistamentos em bandos (vulgo carneirada). Aplicavam uma técnica conhecida na altura por coopOrientação, que implicava uma permuta contínua de informação em movimento e aproximação em linha (lado a lado mas afastados) às balizas. Por norma esta técnica era aplicada por elementos do mesmo clã e/ou com relações de amizades, mas não era raro ser praticado entre desconhecidos, mesmo que falando línguas diferentes.

Colas parasitus silentius
Embora os silentius fossem autênticos oportunistas, tinham consciência que estavam a fazer algo errado, pelo que mantinham uma postura discreta e silenciosa, havendo até relatos de manifestações de agradecimento na chegada. Existiam dois sub-tipos de silentius: os que apesar de tudo continuavam a olhar para o mapa, tentando acompanhar a progressão, e aqueles que pura e simplesmente guardavam o mapa no bolso (é verdade que alguns ficavam tão cansados, que mesmo que quisessem seriam incapazes de olhar o mapa) e se concentravam apenas na perseguição.

Colas parasitus xattus
Estes eram os mais incómodos, pois tentavam esconder a sua prática condenável, nunca deixando de olhar o mapa (mesmo sem saber onde estavam) e estando sempre a dar palpites (normalmente disparatados) sobre a navegação. Entre eles haviam alguns muito bons fisicamente, que achavam meritório contribuir com incentivos anímicos ao colado, que apenas tinham o condão de provocar irritação. Era frequente que os xattus fizessem um sprint ao avistar a baliza, acabando por serem os primeiros a picar, após o que paravam a consultar atentamente o mapa, acabando curiosa e invariavelmente por escolher a mesma opção do colado. Normalmente eles tinham orgulho no sucesso das suas perseguições e gostavam de partilhar essas façanhas com os amigos.

Felizmente tudo isto não passa duma difusa memória pré-histórica, já que o Orientistis sapiensis se caracteriza por um respeito total pelas regras da modalidade, pondo sempre a justiça desportiva acima dos seus mesquinhos interesses pessoais.

Ah… é verdade! A minha Maria está sempre a reclamar que prometo histórias, mas depois ponho-me só com tretas. Estas duas são para ti fofinha!

A primeira aconteceu num Campeonato das Forças Armadas, acho que em 1993 mas já não me lembro onde foi e aborrece-me ir investigar. Nessa altura eu já era uma “lenda” na Orientação, pelo que era referenciado como um potencial “colado”, sendo por vezes alvo de autenticas esperas, logo no triângulo de partida. Nessa altura, talvez fruto das técnicas aprendidas nos Comandos (entre elas a mítica técnica da Pacaça, que não posso descrever senão depois teria que os eliminar) e uma boa condição física, conseguia por norma despistar os seguidores.

No entanto no segundo dia deste Campeonato, apanhei um atleta da GNR no ponto dois, que se colou com tal empenho e astúcia que não logrei fugir dele. Era claramente um silentius, pelo que o fui tolerando embora acumulando algum desagrado. O pior aconteceu quando chegamos ao ponto 10, onde o meu “colas” foi recebido com surpresa por outro atleta da GNR que estava a picar esse ponto e que tinha partido largos minutos antes dele. Fazendo jus à sua condição de silentius o meu companheiro forçado limitou-se a apontar para mim, deixando claro a quem pertencia o mérito e estendendo logo o convite para ele se juntar a nós.

Seguimos em patrulha durante mais alguns pontos, até que decidi que se impunham medidas drásticas, para pôr fim ao comboio. Após picar um ponto que ficava perto dum caminho, segui até lá, procurei um local confortável e sentei-me, dizendo-lhes que não saía dali enquanto eles não fossem embora. Tive é claro o cuidado de explicar que lhes bastava seguirem aquele caminho, virar à direita no cruzamento, etc, para irem até ao ponto seguinte. 

Durante algum tempo tentaram demover-me (ou seria mover-me? talvez comover-me?), referindo que eu estava a fazer uma excelente prova, bla bla bla. Mantive-me inflexível e eles acabaram por seguir o seu caminho, após o que me atirei a direito pelo mato, acabando por terminar 15 minutos antes deles. Não é para me gabar, mas nesse ano mesmo assim acabei por ser campeão das FA! Que saudades desses tempos… (os nomes dos intervenientes nesta história foram propositadamente omitidos, porque não tenho qualquer interesse em ter problemas com eles).

Acalmem-se que a segunda história é mais breve e apresenta um lado positivo das colas.
Num percurso realizado na Praia da Vieira, apanhei um atleta cuja prova não lhe estava a correr nada bem, que me disse claramente que iria atrás de mim e para eu não lhe ligar. No fim veio ter comigo e agradeceu-me pela sua melhor lição de Orientação de sempre.

A lição deve ter sido mesmo boa, pois agora ele ganha-me sempre!