Comentários

Estou à espera das vossas histórias!!!

Agora os comentários mais recentes ficam visíveis aqui ao lado. Os comentários a crónicas antigas já não ficam "perdidos" e todos sabemos o que isso custa...

Now the top chronicles will also be available in English. Look for the tag ENGLISH to see all of them. Have fun!

domingo, 1 de maio de 2011

Comandos - fui por engano, fiquei por gosto

 
Já por várias vezes fiz aqui referência à minha passagem pelos Comandos. Como é impossível ignorar 8 anos da minha vida, e também porque sem essa experiencia estaria eventualmente a vender ferragens ou a plantar batatas, em vez de estar a fazer mapas, vou contar rapidamente como lá fui parar.

Decerto que os mais atentos de vocês já se interrogaram como é que um saloio, doce e sensível como eu, foi parar aos Comandos (ou visto por outro prisma, como é que um Comando pode ser assim doce…). Pois bem a resposta é simples por acaso e por engano.

Como todos os Mancebos da minha geração quando fiz 18 anos, tive que ir à Inspecção, para avaliarem se estava apto para o serviço militar, que na altura era obrigatório. Assim, lá recebi a minha primeira guia-de-marcha, que dava direito a um bilhete de comboio, para me apresentar em Coimbra. Nessa altura a Inspecção durava dois dias, que no meu caso foi uma autêntica aventura, já que foi a minha primeira noite sozinho fora de casa (eu referi que era saloio...).

Durante esses dois dias fui sujeito a vários exames médicos e realizei diversos testes psico-técnicos, nos quais me apliquei a fundo, em mais um reflexo da minha ingenuidade saloia. No final dos exames fui chamado à presença dum capitão, que com um ar cândido me felicitou pelos resultados dos meus testes e me disse que tinha que escolher uma das três tropas especiais (Pára-quedistas, Fuzileiros e Comandos). Aqui está a parte do engano, já que só iam voluntários para as tropas especiais, logo eu PODIA escolher uma delas. Confrontado com essa decisão que nunca me tinha passado pela cabeça, rapidamente exclui os Fuzileiros já que a minha relação com a água é complicada. Sobraram os Páras e os Comandos. A ideia de saltar dum avião ainda hoje me assusta, pelo que me decidi pelos Comandos.

Nessa altura os Comandos estavam "na berra" por terem morrido dois instruendos, pelo que comecei logo a ter uma ideia de onde me tinha metido, quando saí da sala e disse que ía para os Comandos e todos me olharam como se eu fosse louco.

Nessa altura foi-nos atribuído um número (mecanográfico), que tínhamos que ter sempre na ponta da língua, e curiosamente passados mais de 20 anos ainda lá continua: 19976989. A inspecção terminou com a praxe habitual de retardarem a nossa saída do quartel até escassos minutos antes da partida do nosso comboio, fazendo com que tivéssemos que correr desalmadamente para chegar a tempo.

Uns meses depois fui intimado a comparecer no Regimento de Comandos na Amadora, para realizar testes adicionais para avaliar se tinha potencial Comando. Provando que não tinha aprendido nada em Coimbra, voltei a aplicar-me nos testes e fiquei apurado.

Assim, no dia 20 Fevereiro de 1989 apresentei-me no Reg. Comandos para iniciar o Curso. Como tinha o 12º ano, integrei o CGM (Contingente Geral de Milicianos) que formava os futuros Sargentos e Oficiais. Os primeiros tempos foram "tranquilos" enquanto decorreu a formação geral, consistindo basicamente na Ordem Unida (marchar), teoria militar e manuseamento da G3, referida na altura como a nossa namorada, da qual tínhamos que saber o número (esse já esqueci), conhecer as peças todas (ainda sou capaz de as enumerar todas e para o provar refiro apenas que a G3 tem um calibre 7.62 e tem o cano com 6 estrias no sentido dextrossum) e conseguir desmontá-la e montá-la de olhos vendados em menos de 1min. (mais tarde cheguei a ter 4 armas diferentes desmontadas, para montar de olhos vendados).

As coisas complicaram-se "um pouco" com o inicio do Curso de Comandos, sendo talvez o mais chocante verificar que o nosso Sargento (Tovim) mais porreiraço, que até contava anedotas, apareceu com o cabelo rapado e se transfigurou num ser abominável e com laivos de sadismo.

Encarei todas as dificuldades com resignação e rapidamente aprendi que o melhor era manter um "low profile", não me destacando nem pela positiva nem pela negativa. Mesmo assim o meu superior intelecto e capacidade física acabaram por se revelar e passadas umas semanas fui escolhido juntamente com mais 15 camaradas (sim porque colegas são as p....), para integrar o COM (Curso de Oficiais Milicianos), de onde sairíamos Aspirantes. O resto do Curso decorreu sem grandes sobressaltos (uma sucessão de "um minuto para formarem", "em cima de braços", "abaixo acima", "saltou saltou", "abriu fechou", "tá a rastejar até mim" e "não quero ver ninguém") e passados 4 meses do inicio dessa aventura, era um garboso Oficial do Exército Português, recebia o crachá e a boina Comando,  e ficava a comandar um Grupo de 30 Comandos, durante mais um ano (o meu serviço militar obrigatório foram 16 meses).

Durante o Curso tive formação de Topografia, incidindo em particular no uso das Cartas Militares e no ano que se seguiu foram inúmeras as situações de uso delas, mas só  em 1991 tive a minha primeira experiência de Orientação, que já aqui contei.

Após o SMO acabei por ficar 6 anos contratado, e durante esse periodo aconteceram muitas outras histórias relacionadas com a Orientação, mas ficam para outro dia pois esta crónica já vai longa...

9 comentários:

  1. Olá,
    Bons mapas de BTT e de acordo com os comentários boa organização.
    …/…
    “Um pequenino engano que se desculpa e lamenta”
    Bem melhor seria que tivesses escolhido as Operações Especiais, só que estas são discretas e, quanto a mim, assim devem ser.
    Assim, terias ficado a saber que há três tropas especiais: Pára-quedistas, Fuzileiros e Comandos.
    Quanto às Operações Especiais são únicas nesta Pátria que se construiu do Norte para sul.

    ResponderEliminar
  2. Boas
    Eu também sou doce e sensível, mas fui para os Comandos porque quis, só não sei onde fui buscar essa ideia, pois quando fui a inspeção tudo que eu queria era ir para os Comandos.
    Também eu la fiquei por 8 anos (se me chamassem ia para la outra vez), e tive um instrutor que me ensinou tudo que eu sei agora de Orientação, mesmo tendo começado tudo com as aulas de topografia.
    Muito Obriga Alferes Sérgio


    Joaquim Sousa 03496591 (a pois)

    ResponderEliminar
  3. olá! Sou a isilda
    Se bem te lembras sempre te (me)fiz essa mesma pergunta.E ainda hoje não consigo entender, apesar de todas as explicações que foste dando.
    E tambem mais esta que acabei de ler.

    ResponderEliminar
  4. Uma vez "COMANDO", "COMANDO" para sempre. Sem desprimor para as outras Forças Especiais, que muito estimo, o "COMANDO" é diferente. Podes e deves ter um grande orgulho em pertencer a esta grande familia, na qual estás de pleno direito,e, podes estar seguro que a familia "COMANDO" reconhece o teu valor e está grata pelos serviços muito meritórios, que prestaste no Regimento de Comandos, durante os oito anos em que ali permaneceste.
    Um grande abraço.

    ResponderEliminar
  5. Nunca entrei nem vou entrar agora na discussão de qual é a melhor tropa especial, já que essa será sempre a nossa. Desde que cada um de nós esteja de consciência tranquila, por dar o melhor de si, decerto que isso se reflecte nos projectos em que se envolve.
    Dinis, de facto devia ter também referido as Operações Especiais, enquanto tropa especial, mas a verdade é que essa não foi uma das possibilidades que me foram dadas a escolher. Não sei se por causa da descrição que referes... ou se porque as OE apostam numa captação de voluntários mais a norte...
    Agradeço ao Damâso as suas agradáveis palavras. Para quem não sabe o Damâso é um dos Dinossauros da Orientação nacional e em conjunto com outros 3 camaradas - Viegas Martins, Pombo dos Santos e Caneiras (Becas) Pereira (estes dois últimos já falecidos), foram para mim uma referencia na Orientação e juntos partilhámos algumas das histórias que se seguirão...

    ResponderEliminar
  6. Viegas Martins... "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Muito gostava desta máximo o então SAj. Viegas martins que "apanhei" na DI do RCMDS em 90/91.

    ResponderEliminar
  7. Boas camaradas, ainda bem que também faço parte desta "familia" comando. Fui 1º cabo comando em 1987/88 e dei instrução comando em 1988, ano em que infelizmente morreram três instruendos e não dois como acima se referiu, porém o que importa reter acima de tudo, é o espírito e o saber estar que consegui ao ingressar nesta enorme "família".

    ResponderEliminar
  8. Fernando Monteiro

    Ex comando,não somos melhores,somos diferentes,está tudo dito.Abraço a todos camaradas,ex cmd monteiro 112\74

    ResponderEliminar
  9. Ex comando???? Foda-se quem é este pacacao??? Comando é e será sempre comando!!

    ResponderEliminar