Já passaram 10 anos, mas esta prova e este mapa ainda estão indelevelmente impressos na memória dos participantes...
Histórias da Orientação nacional para memória futura. Retalhos da vida de um cartógrafo de fim-de-semana e praticante de Orientação. Actualidade, jogos e curiosidades.
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Estou à espera das vossas histórias!!!
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
II Campeonato Ibérico - Entre-os-Rios 1993
Apesar de estar desde o inicio acordado alternar o país de realização do CI, em virtude da incapacidade manifestada por Espanha para organizar o segundo Campeonato Ibérico, a FPO acabou por assumir a sua organização em parceria com o INATEL. As provas decorreram nos dias 5 e 6 de Dezembro de 1993, no mapa de Figueira em Entre-os Rios.
Este evento ficou para a história da nossa modalidade como um dos mais picantes de sempre, devido ao amarelo manto florido de tojo, que cobria grande parte do mapa e que deixou marcas profundas nos joelhos dos participantes. As más linguas (que como vocês bem sabem há sempre) foram ligeiras a insinuar que o amarelo do mapa só podia mesmo representar o tojo, já que a corrida fácil era mesmo uma miragem.
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Foto do pódium e dos convidados VIP, onde destaco o Gino Esteves a Speaker e os troféus em pedra da região. |
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Céu Esteves, Alice Silva e Crsitina Pocinho. |
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Selecção Feminia Espanhola, com o Presidente Camilo Mendonça em primeiro plano. |
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Nesta foto podemos ver várias passagens de testemunho na Estafeta: Mário Duarte ao Eurico Martins, José Redondo ao Manuel Luís e Cristina Pocinho à Alice Silva. |
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Troféu e "Lembrança" da prova. |
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
I Campeonato Ibérico 1992 - Tróia
O primeiro Campeonato Ibérico foi organizado pela FPO, nos dias 5 e 6 de Dezembro de 1992. As selecções nacionais ficaram alojadas em Tróia e as provas decorreram nos mapas de Casebres e Palma.
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In Bússola n3 de 1993 |
Abaixo disponibilizo as principais classificações do evento, destacando que foram manuscritas pelo Higino Esteves. Como é possível verificar, os primeiros Campeões Ibéricos foram o José Redondo e a Irene Silva, tendo eu obtido aqui o segundo lugar, que foi a minha melhor classificação Ibérica. Por equipas Portugal ganhou nos dois escalões em disputa.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
I Campeonato Nacional de Distância Curta 94/95
O primeiro Campenato Nac. de Distância Curta (Média) foi organizado pelo CIMO, no dia 25 de Junho de 1995 e decorreu na Mata dos Medos - Charneca da Caparica. Constou de dois percursos individuais, realizados um de manhã e o outro à tarde, sendo os Campeões Nacionais apurados pela soma dos dois tempos.
Abaixo podem ver algumas fotos da cerimónia de entrega de prémios.
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Pódium HE |
RESULTADOS
D12; Fátima Matoso / GDC Alvito; Ana Oliveira / OriEstarreja; Joana Teixeira / OriEstarreja
H12; Pedro Nogueira / AA Mafra; Jorge Pinto / OriEstarreja; Albano Neves / DA Recardães
D14; Ana Matoso / GDC Alvito; Andreia Santos / GDC Alvito; Carina Gonçalves / ADLA
H14; Paulo Franco / AA Mafra; António Almeida / OriEstarreja; Gonçalo Pôla / GDC Alvito
D16; Mafalda Almeida / OriEstarreja; Maria Saraiva / DA Recardães; Cristina Amador / GDC Alvito
H16; Daniel Filipe / OriEstarreja; Bruno Gonçalves / AA Mafra; Nuno Rebelo / CIMO
D18; Sandra Couras / OriEstarreja; Sara Figueiredo / OriEstarreja
H18; António Reis / OriEstarreja; António Costa / AA Mafra, António Costa / AA Mafra
D20; Ana Carla / DA Recardães
H20; Pedro Silva / DA Recardães; Nuno Lemos / AA Mafra; Marco Rei / CCAV
H21A; Ilídio Pires / CADG-GNR; Zeferino Félix / CADG-GNR; Vítor Almeida / EPE-Altern
D21E; Kátia Almeida / CIMO; Maria Oliveira / GDC Alvito; Alice Silva / Alto Moinho
H21E; Luís Sérgio / A Comandos; Luís Sequeira / CADG-GNR; Mário Duarte / CADG-GNR
D35; São Morais / AA Mafra; Isilda Santos / AA Mafra; Maria Palmira / DA Recardães
H35; Álvaro Coelho / CADG-GNR; Albano João / DA Recardães; António Ferreira / EPE-Altern
H40; Cardoso Ferreira / A Comandos; Carlos Rebelo / CADG-GNR; Dionísio Estróia / CP EPAL
H45; Joaquim Patrício / GDC Alvito; Manuel F Silva / CCAV; Fernando Crisóstomo / GDB Portugal
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
CNA - com muitos pés e alguma cabeça
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Foto gentilmente cedida pelo CPOC, embora sem seu conhecimento. |
(esta crónica deu os primeiros passos no regresso de Vouzela, quando escutava Abas do vento dos Clã no rádio, e lancei o desafio à minha prole para encontrarem expressões com pé.
Todas as personagens desta crónica são ficcionadas e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência).
Depois de levar com os pés no pedido de participar no CNA em pé de igualdade, apesar de ter apresentado uma solução com pés e cabeça à FPO, pois resolveram interpretar os regulamentos ao pé da letra, fiquei de mãos e pés atados e tive que dar ao pé no escalão H40.
Assim, após o último bip dei o primeiro passo e parti de pé ligeiro, dando corda aos sapatos tentando entrar na prova com o pé direito. Com os pés bem assentes no chão e determinado a morrer de pé se fosse preciso, consegui fazer os melhores parciais nos primeiros 4 pontos, dando um passo de gigante para a vitória final.
No trajecto para o 5º ponto fiquei com os pés para a cova devido à subida, mas lá segui pé ante pé tentando não meter os pés pelas mãos. Piquei imediatamente atrás do Helder Ferreira, que seguramente tinha metido os pés na argola e que deve ter ficado com os cabelos em pé por me ter à perna, já que fugiu a sete pés pela estrada.
Lá meti o pé na tábua para o tentar acompanhar, mas sem sucesso pois a velocidade é o meu calcanhar de Aquiles. Já a transpirar dos pés à cabeça, não consegui chegar aos calcanhares do Helder, que após picar disparou de pé leve para o ponto 7. Quando percebi que ele ia contornar a área verde pela direita, fiquei de pé atrás e do pé para a mão encontrei uma opção melhor e avancei pela esquerda com pezinhos de lã , determinado a tirar aquela pedra do sapato.
Quando cheguei ao pé do ponto 7 não vi o Helder (que resolveu meter a pata na poça e não o picar), pelo que segui para o 8, tendo ficado com o coração aos pés, por não o encontrar logo. Sem arredar pé da área, estudei o mapa para encontrar forma de descalçar aquela bota. Lá encontrei o malandro e zarpei para o 9, que estava no sopé duma escarpa. Parti para o 10 com ganas de não voltar a meter os pés, mas cheguei a uma área amarela em que não batia a bota com a perdigota, já que estava coberta de ramos e pedras. Qual sempre-em-pé lá saltitei até ao ponto 10, a que se seguiu o 11 e o 12 sem história.
Na aproximação ao ponto 13 dei um passo atrás ao desviar-me demasiado para a direita, o que me custou preciosos segundos. A partir daí não voltei a pôr o pé em ramo verde e no sprint final fiquei prestes a bater a bota, ao ficar em pé de guerra com o Pedro Dias, tendo jurado a pés juntos que ele não haveria de me passar a perna. Cheguei à meta e atirei-me ao chão, incapaz de me pôr de pé e com a sensação de estar a ficar sem pé (ok, ok esta parte é pura ficção da ficção).
Qual cereja no topo do bolo, tive depois oportunidade de gozar com o Helder, que parecia ter acordado com os pés de fora e fez um pé-de-vento por ter sido desclassificado. Fruto das aberrantes regras do CN Absoluto acabei por ter uma entrada a pés juntos no Ranking, juntando mais 100 pontos ao meu parco pé-de-meia. Afinal talvez ainda não esteja na altura de arrumar as botas.
Determinado a não juntar pé de atleta ao meu pé chato, resolvi não correr riscos e optei por não tomar banho, mas claro que já adivinharam que o meu almoço foi pezinhos de coentrada.
Ufa, fiquei cansado de tantos pontapés na gramática!
PS: acho que só não consegui enfiar aqui o pé-de-cabra…
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Lagoa de Albufeira - Quinta da Apostiça
Este foi o primeiro mapa de Orientação que eu usei em competição, nos 2 dias de Lisboa de 1990. Já falei sobre esta prova logo no inicio deste Blog (http://maisummapa.blogspot.com/2010/11/minha-primeira-prova-de-orientacao.html), mas nessa altura não tinha disponibilizado o mapa, pelo que aqui fica ao vosso dispôr.
Quando eu comecei a praticar Orientação a Quinta da Apostiça era uma das "Mecas" do nosso desporto. Este mapa foi produzido em 1987 pela Associação Portuguesa de Orientação (precussora da FPO) e fazia parte dum conjunto de mapas realizados com apoio da World Wide Orieteering Promotion, dos nossos bem conhecidos Peo Bengtsson e Jorgen Martensson.
Posteriormente competi muitas vezes nesta área e também coordenei diversos treinos lá, entre os quais destaco alguns só com curvas de nível, com a complicação adicional de que, nalgumas áreas qualquer semelhança com a realidade era pura coincidencia.
Abaixo disponibilizo o mapa Lagoa de Albufeira Sul, produzido na mesma altura e pelos mesmos cartógrafos.
Posteriormente competi muitas vezes nesta área e também coordenei diversos treinos lá, entre os quais destaco alguns só com curvas de nível, com a complicação adicional de que, nalgumas áreas qualquer semelhança com a realidade era pura coincidencia.
Abaixo disponibilizo o mapa Lagoa de Albufeira Sul, produzido na mesma altura e pelos mesmos cartógrafos.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
ELF Authentique Adventure (parte 2)
Já publiquei aqui há algum tempo o relato da minha participação no ELF Authentique Adventure, que decorreu em 2000 no nordeste brasileiro. Nessa altura prometi que voltaria a esse tema, para vos contar algumas estórias dessa prova que durou 12 dias e teve uma extensão de 800km.
Na verdade a prova começou alguns meses antes, tentando gerar receitas através da organização de provas e garantindo os patrocínios necessários para viabilizar a participação, que estava orçamentada em mais de 2000 contos (10000 euros).
Foi também necessário proceder a treinos de selecção e preparação da equipa, tendo no meu caso servido também como teste para a minha entrada na equipa (fui convidado, juntamente com o Rui Rocha, a integrar este projecto, ainda sem fazer-mos parte da UTL Aventura). Fizemos inúmeros treinos das várias disciplinas incluídas na prova - equitação, kayakes, vela, BTT, corrida, actividades de cordas e a omnipresente orientação (no caso da equitação tive até aulas no CMEFD, onde tinha prestado serviço uns anos, sem nunca ter montado um cavalo). No final do período de treinos, cada um de nós fez uma avaliação dos restantes membros da equipa, ordenando-os pelo seu desempenho em cada uma das especialidades, permitindo assim definir a constituição da equipa (Alexandre G. Silva, Maria Amador, Rui Rocha e Luís Sérgio) e da assistência (Alice Silva, Diogo Rolo e Fátima Pereira).
Cada equipa tinha que dispor de todo o equipamento a usar na prova - equipamento individual de equitação, material de escalada incluindo capacetes e 2 cordas de 100m, equipamento de BTT e respectivas 5 bicicletas (1 de reserva), etc etc. Para além disso resolvemos levar também os kayakes (2 de 6,5 m, pintados com as cores de Portugal), que já tínhamos acordado vender a uma equipa brasileira no final da prova.
Como quem já passou por estas situações deve estar a suspeitar, viajar de avião com todo este equipamento revelou-se uma verdadeira aventura, que começou logo quando fomos informados pela TAP, que teríamos que pagar 600 contos (3000 euros) só para levar os kayakes. Este valor era completamente incomportável, pelo que tudo tentámos para o evitar, desde logo alegando que era o nosso equipamento individual e irmos em representação de Portugal. Como isso não resultou recorremos a todas as cunhas possíveis (eu pus o lóbi Comando em acção), mesmo assim sem qualquer sucesso.
Em desespero fomos à VARIG perguntar as condições para levarem os kayakes, tendo recebido em resposta um desconcertante: "tem problema não!" e que os nossos kayaques iriam sem qualquer custo. Assim, lá trocamos dois dos bilhetes que já tínhamos reservado da TAP para a VARIG, e o Diogo e a Fátima foram encarregues de os acompanhar. Bem, acompanhar é uma força de expressão, já que ao fazerem escala em São Paulo, eles tiveram que levantar toda a bagagem (incluindo os 2 kayakes de 6,5 m) e transportá-los para outro piso, onde voltaram a fazer o check-in, que incluiu passar os kayakes pelas máquinas de Raio x (eles estavam cheios com os coletes e outros equipamentos leves).
O mais irónico desta história é que a VARIG tinha um acordo de permuta com a TAP, que fez com que os kaykes acabassem por ir num avião da TAP, a custo zero...
Saltando por cima da prova, que também tem várias peripécias que vale a pena partilhar, vou já contar-vos as complicações para trazer o equipamento de volta para Portugal, nessa altura já sem os kayakes e sendo apenas 5, pois a Fátima e o Diogo optaram por ficar mais uns dias de férias.
Os problemas começaram logo no aeroporto de São Luís, pois uma vez que ia-mos fazer escala em São Paulo, para rumar definitivamente a Portugal (na verdade fizemos várias paragens até lá, qual bola de ping-pong, apenas com a vantagem de cada uma delas ser recompensada com mais comida), essa viagem era considerada nacional, pelo que cada um de nós só podia levar 20kg de bagagem em vez dos 60 dos voos internacionais, logo teríamos assim que pagar uma taxa proibitiva de excesso de bagagem. Depois de demoradas negociações baseadas no argumento que não queríamos ir para São Paulo mas sim para Portugal, assim na prática aquele era um voo internacional, lá conseguimos permissão para levarmos os 60kg/pessoa. Mesmo assim ainda tivemos que pagar um excesso de bagagem, pois levávamos mais de 300kg (sem contar com as bagagens de mão onde iam os "ferros" todos)!!!
Em São Paulo tivemos que levantar toda a bagagem e proceder a novo check-in, e sim... já adivinharam, tivemos novamente problemas, neste caso não com o peso, mas sim com o número de volumes, uma vez que cada pessoa só podia levar dois e nós os 5 tínhamos 15. Nessa altura já tinha reparado com imensa surpresa, que o funcionário que nos estava a atender no balcão tinha um mini crachá dos Comandos portugueses no bolso da camisa, pelo que para satisfazer a minha curiosidade e na expectativa de poder capitalizar esse facto, perguntei-lhe porque o usava. Explicou-me que o pai era português e que tinha servido nos Comandos em África (imagino que se o filho usa uma miniatura do crachá, o pai deve tê-lo tatuado no braço, logo acima do "amor de mãe").
Estendendo os tentáculos do polvo Comando além Atlântico, informei que também era Comando, mandando logo um grande abraço para o senhor seu pai e meu camarada. Tendo conquistado um aliado, perguntei se havia alguma forma de podermos contornar esta questão, ao que ele respondeu nada poder fazer, mas que podíamos colocar o problema à sua superior. Lá fomos falar com ela, que também disse nada poder fazer, mas que podíamos ir falar com o chefe do check-in. Também este se manifestou impotente para solucionar o caso, mas telefonou ao administrador (não sei do quê...), que nos pediu para irmos ao seu gabinete.
Mais uma vez apresentei o nosso pleito, tendo ele se manifestado muito interessado, mas disse que não podia desrespeitar as regras e acrescentou que quando muito poderíamos juntar alguns volumes. Percebi logo que estava ali a solução e agradeci a gentileza. Assim que saímos do gabinete pedi ao meu compincha se me arranjava fita adesiva, o que ele tratou logo de "arrumar".
E foi assim que, numa espécie de milagre da multiplicação invertido, os 15 volumes passaram a 10 e pudemos fazer o check-in sem custos adicionais! Como sempre acontece, também neste caso quem se lixou foi o mexilhão, entenda-se o bagageiro, que com os seus imponentes 1,60 metros teve que carregar três caixas de BTT juntas e mais alguns pares de sacos já individualmente volumosos e pesados.
Passados uns dias de estarmos em Portugal, alguns de nós descobrimos que tínhamos trazido uma "bagagem" adicional nos pés, mas essa estória "tipo Alien", fica para outro relato...
quinta-feira, 14 de julho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Campeonato Nacional de Estafetas 2011 - Apontamentos
Começo por me penitenciar publicamente por ter "enterrado" a minha equipa de Estafetas, ao ser desclassificado por ter controlado um ponto que não era o meu (sim... eu sei que os pontos têm um código para confirmar que é o certo). Só posso alegar em minha defesa que nessa altura já estava a escrever o próximo post para aqui, que esperava iniciar de forma diferente...
Esta situação fez-me lembrar os tempos em que os professores tinham uma cana comprida como auxiliar educativo. Nessa altura havia sempre um aluno solícito que tratava de providenciar a referida cana, mas que acabava invariavelmente por ser o primeiro a dar uma voltinha nela. Isto vem a propósito de eu ter proposto um cajado de prémio para o mais pastor e logo na primeira oportunidade fiz por merecer essa honra, e a verdade é que fui mesmo presenteado com um cajado (obrigado franjinhas), ainda que fosse apenas uma das estacas do Ginásio.
Quem já se desclassificou numa prova sabe o que isto custa, mas neste caso ainda é mais complicado, já que se tratava duma estafeta, agravado pelo facto da minha Maria fazer parte da equipa (certamente vou ficar a pão e água) e ainda por cima o meu pirralho de 8 anos farta-se de gozar comigo (e todos sabemos como as crianças conseguem ser cruéis umas com as outras)!
Ofereço aqui este docinho ao Rui Botão em jeito de desculpa por o ter abandonado à sua sorte durante a estafeta. Depois de ter-mos controlado 3 pontos mais ou menos juntos (embora ele corresse mais que eu), estávamos a abordar o ponto 12 quando ele que ia à frente hesitou um pouco e parou a ler o mapa. Passei por ele, contornei uma área verde e piquei o ponto que devia estar a 10 metros do Rui. Como me pareceu que ele não me tinha seguido, saí de fininho pelo meio da vegetação e segui para o ponto seguinte.
Nessa altura tive sentimentos contraditórios, já que senti alguma satisfação mas também algum remorso por não o ter chamado. Consegui apaziguar a minha consciência, dizendo a mim mesmo que por se tratar duma estafeta tinha agido bem, já que posso oferecer o meu esforço, mas não o dos meus companheiros de equipa. Se nessa altura não estivesse já desclassificado, agora estaria a pensar que teria sido castigo divino... Mesmo assim acabou por me voltar a apanhar e terminou antes de mim (claro que eu já tinha decidido que não valia a pena entrar em despique com ele, pois tínhamos saído na partida em massa).
Já que entrei nesta senda de propor prémios especiais, vou sugerir e neste caso também atribuir o prémio do Controlar Mais Sorridente. Como já devem ter adivinhado pela foto o prémio vai para... Tânia Covas (.COM)!
Não posso deixar de salientar o regresso às provas do Simões, um dinossauro da nossa modalidade, que havia 15 anos que não participava numa prova. Aliás, ninguém me tira da cabeça que o cheiro estranho que se sentia na floresta, e que muitos atribuíram erradamente à fábrica anexa, não era mais que o cheiro a naftalina e quem sabe algum mofo, do fato do Simões por ter estado tanto tempo arrecadado!
Irradiando simpatia o Simões deu-se ao luxo de parar para me cumprimentar quando o incentivei após partir e voltou a fazê-lo no ponto de espectadores depois de cumprimentar também o Sousa.
Para os mais desatentos informo que o Simões integrou a Selecção Nacional que participou no WOC em 91 na Checoslováquia, tendo sido o nosso corajoso representante na Distância Longa, num percurso com 17 km (um destes dias volto a este tema).
Faço votos que ele tenha voltado para ficar.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Andaluzia eXtrem - Casi casi!!! - I
O Andaluzia eXtrem foi uma prova de aventura em BTT, que decorreu no sul de Espanha em Maio de 2001 e tinha uma extensão de 800km. Nesta prova fiz equipa com a minha Maria e mais uma vez informo que voltarei a este tema mais tarde (com um bocadinho de sorte e persuasão, ainda consigo convencer a Maria a dar um contributo...).
O artigo que se segue foi escrito na altura.
Após cerca de 700 km em que fizemos uma boa gestão do esforço/descanso, de forma a garantir que chegaríamos a Granada sem percalços, acabámos por ser traídos por uma tendinite no pé direito da Maria, que nos levou a abandonar a competição a escassos 100 km da meta. A decisão de abandonar a competição foi difícil, não só por estarmos “casi casi”, mas também porque estávamos em excelente condição física, e em posição de chegar a Granada ainda durante o dia de Sábado!
Por outro lado, termos parado tão perto também significa que nos “divertimos” durante cinco dias e cinco noites, num sobe e desce constante, usufruindo da agreste paisagem da Andaluzia, que nos primeiros dias se revelou bastante inóspita e quase desértica, tornando-se depois mais acolhedora e com alguma água, embora sempre com grandes desníveis. A prova revelou-se, como era esperado, bastante dura, especialmente por haver grandes partes do percurso sem caminhos, onde as BTT’s tinham que ser transportadas às costas, em terreno extremamente irregular e por vezes com vegetação bastante densa.
A organização do evento teve algumas falhas, nomeadamente no que diz respeito à pouca informação que estava disponível para as equipas, sendo necessário estar constantemente a fazer perguntas de forma a sabermos o que se ia passar. Para além disso houve diversos pontos e inclusivamente etapas que foram anulados, o que revela algumas lacunas no planeamento da prova.
Como balanço final da prova, e apesar da nossa desistência, podemos afirmar que foi bastante positivo, tendo permitido acumular mais alguma experiência neste tipo de competições, que será seguramente bastante útil em futuras participações.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O-RINGEN 1995
Penso que alguns de vocês terão estranhado este interregno de publicação de artigos neste Blog.
A explicação é simples: estava a fazer uma birra!
Parece que vocês me habituaram mal no inicio, quando comentavam com frequência os meus devaneios. Ultimamente têm sido muitas as minhas desilusões ao entrar no Blog, na esperança de ter alguns comentários, o que confesso arrefece muito o meu ímpeto escritista (estou seriamente a pensar virar-me para o Facebook, onde uma simples bufa, é tema para comentários infindáveis).
A minha ânsia de reacção da vossa parte leva-me a recorrer a uma foto com vários nus integrais , captada no O-Ringen (lamentavelmente apenas tenho dos chuveiros masculinos). Pode ser que esta consiga vos arrancar alguns comentários.
Para além disso é seguramente mais um motivo para encorajar a participação no O-Ringen, que é de certa forma a "peregrinação a Meca" de qualquer praticante de Orientação. Já participei por duas vezes e foram de facto eventos memoráveis.
Nestas questões dos chuveiros comuns, lembro-me que num dos Campeonatos Mundiais que participei, os chuveiros das mulheres ficavam separados dos chuveiros dos homens apenas por um tecido, que apesar de opaco, permitia ver as sombras das mulheres projectadas nele.
Nunca vi atletas masculinos a demorar tanto tempo para se vestirem...
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
ELF - Authentique Aventure (parte 1)
O ELF - Authentique Aventure foi uma prova de aventura, que decorreu no Nordeste Brasileiro em Abril de 2000. Foi a minha primeira experiência internacional da Aventura e fizeram parte da equipa comigo a Maria Amador, o Alexandre Guedes da Silva, o Rui Rocha e ainda na Assistência a Alice Silva, a Fátima Pedreira e o Diogo Rolo. A prova teve uma extensão de 800 km e durou 12 dias "nonstop", pelo que como devem imaginar, há muitas histórias para contar, pelo que decerto que voltarei a este tema. Na verdade esta aventura começou vários meses antes com os treinos, continuou com as viagens e prolongou-se ainda algumas semanas após o fim da prova.
O artigo que se segue foi escrito na altura.
De repente tomei consciência que a prova tinha acabado e fiquei triste!
Na realidade acabáramos de iniciar a última etapa e estávamos a navegar à vela em excelente ritmo. Eu estava recostado no barco sem nada que fazer e toda a pressão dos últimos dias abateu-se sobre mim apanhando-me completamente desprevenido. Tinha definido como meu objectivo chegar ao fim sem uma beliscadura no meu sentido de humor e até então tinha-o conseguido. Mas ali, naquele barco, baixei a minha guarda e eis que me deixo abater e fico cabisbaixo, sorumbático, quiçá macambúzio! Pela primeira vez deixo que o estado dos meus pés, que na altura para além da cultura extensiva de fungos estavam bastante inchados e com um aspecto putrefacto, me perturbe e incomode.
Os meus delicados pézinhos... |
Felizmente, depois de entrarmos na zona de mangue o vento parou e tivemos que remar para podermos progredir! Tinha novamente acção pelo que me voltei a animar, saindo do torpor em que havia mergulhado. Pela frente tínhamos ainda uma noite passada no barco ao sabor das ondas e debaixo de um céu magnificamente estrelado.
Lançámos âncora junto a uma povoação de pescadores, mas não podemos desembarcar pois não havia nenhum cais e as margens eram um autêntico lamaçal. Comemos alguma coisa e acomoda-mo-nos o melhor possível, para dormir algumas horas. Era-mos cinco, numa embarcação pequena e os espaços disponíveis para além de exíguos eram bastante desconfortáveis. Por fim consegui adormecer, mas o sono foi bastante atribulado tendo acordado sobressaltado e confuso, sem saber onde estava e com a sensação de que tinha estado o tempo todo em movimento. Resolvemos avançar até ao último ponto de controlo, do qual só podíamos sair às seis da manhã. Chegámos lá ainda muito cedo, pelo que tivemos que esperar sob um ataque cerrado de pequenos mosquitos que pareciam conseguir entrar em todo o lado e arrancar-nos pedaços de pele. Finalmente o controlador deu sinal de partida e mais uma vez subimos a vela para aproveitar o vento que soprava na direcção da meta. Passado pouco tempo já avistávamos a praia onde algumas pessoas, bem menos do que eu esperava, aplaudiam a chegada das equipas.
Tínhamos chegado ao fim! Cumpríramos o nosso objectivo (não no que diz respeito à equipa pois o Rui Rocha ficara pelo caminho) para o qual nos havíamos preparado durante meses! Haviam-se acabado as noites mal dormidas num qualquer alpendre! Finalmente podíamos descansar e recuperar das mazelas dos últimos dias! Pela frente tínhamos quatro dias num hotel junto à praia! Então porque é que eu não estava contente? Porque não festejei euforicamente o nosso grande feito? A resposta a estas perguntas é o facto de ter tomado consciência que aquilo significava o fim da nossa aventura! Penso que a Maria, embora feliz por finalmente ter conseguido terminar um grande Raide, partilhava comigo a melancolia de ter chegado ao fim.
Por outro lado o Alexandre estava radiante e parecia um puto a pular de contente e a abraçar toda a gente que passava ao seu alcance. Esse sentimento era compreensível, principalmente depois de alguns dias antes ele ter tido que tomar a difícil decisão de ficar de fora, por não haver ninguém para fazer equipa connosco nos kayakes, tendo sido salvo no último minuto pela Bia (brasileira que se juntou a nós nas últimas etapas). Esta por seu lado conseguiu terminar a prova desperta, depois de ter conseguido fazer as ultimas etapas connosco, num aparente estado de sonolência constante.
Esta aventura chegara ao fim, mas certamente outras nos esperam!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Pequeno apontamento da participação no "Terra Incógnita" - Croácia 2003
Croácia “on the rocks”
De facto a imagem mais forte que todos retivemos na memória foi a de campos de pedras e rochas calcárias a perder de vista, uma paisagem árida quase desértica de um branco imaculado. Por vezes ao calcário parecia ser vidrado tendo arestas extremamente cortantes, tornando o caminhar verdadeiramente penoso e arriscado.
O nosso objectivo resumia-se a procurar uma nesga de espaço onde colocar o pé tentando evitar o quase inevitável entorse (felizmente para a nossa equipa que nenhum deles teve gravidade), rejubilando quando encontrávamos um ocasional afloramento rochoso que nos permitia dar dois passos normais, ou melhor ainda os resquícios de um carreiro feito por duas ou três ovelhas erráticas, que alimentavam por breves momentos a esperança de que era desta que iríamos encontrar o caminho tão desejado.
Saltitando de desilusão em desilusão lá íamos progredindo lentamente, sem coragem para olhar ao longe limitando-nos a pensar onde colocar o próximo pé. Não poucas vezes pisámos pedras soltas, que ao se moverem nos desequilibravam, ou que pior ainda se viravam contra nós, atacando as nossas canelas sem dó nem piedade.
Se caminhar neste terreno de dia já era um tormento, de noite as coisas ainda se tornavam mais complicadas, piorando consideravelmente quando o sono se aliava à escuridão, tornando o solo num labirinto de sombras projectadas pelos nossos frontais.
Por vezes, qual cereja no cimo do bolo, atravessávamos áreas com um emaranhado de muros de pedra periclitantemente empilhadas e sem qualquer lógica aparente, que se atravessavam no nosso caminho, tornando a progressão numa verdadeira prova de barreiras. Alguns dos muros ainda tinham o bónus adicional de terem uma linha de arame farpado no topo, tornando a sua transposição muito difícil e perigosa.
Tenho que admitir que não foi fácil resistir ao uso da técnica de derrubar os muros para os passar mais facilmente, que viemos a saber posteriormente, foi usado com “bons” resultados por outras equipas.
Para terminar não posso deixar de manifestar o meu contentamento por não ter ficado minimamente traumatizado por esta provação, para além de algumas nódoas negras claro, e estou seguro que o ódio que senti pelas pedras será facilmente ultrapassado em dois ou três anos!
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